Por até R$ 640 mil por ano, Câmara de Taubaté prevê alugar 21 veículos

Licitação foi aberta esse mês pelo Legislativo; desde janeiro, após manobra de vereadores envolvidos na ‘Farra das Viagens’, Câmara conta com 20 motoristas e oito carros

A Câmara de Taubaté abriu uma licitação para definir a empresa que ficará responsável por alugar até 21 veículos ao Legislativo.
A sessão do pregão está marcada para o dia 29 desse mês. Vencerá a disputa a empresa que oferecer a menor proposta. O valor máximo do contrato será de R$ 640 mil em 12 meses.
O edital prevê um gasto mensal de R$ 2.541,48 com o aluguel de cada veículo, o que representaria uma despesa de R$ 53,3 mil por mês com a locação dos 21 carros.
EQUIPE INCHADA.
Em janeiro de 2019, seis meses após o jornal revelar o escândalo da ‘Farra das Viagens’, que envolveu 14 parlamentares da legislatura passada (13 vereadores e um suplente), o vereador Boanerge dos Santos (PTB), que havia assumido a presidência da Câmara, decidiu reduzir o número de motoristas e de veículos da Casa.
Na época, o Legislativo transferiu 13 dos 21 motoristas e 12 dos 20 veículos à Prefeitura, ficando com oito profissionais e oito carros. Em janeiro de 2021, o novo presidente da Câmara, Paulo Miranda (MDB), pediu o retorno de 12 motoristas (o outro morreu enquanto estava cedido à Prefeitura), mas os veículos continuaram com a Prefeitura.
Ou seja, desde janeiro, a Câmara conta com 20 motoristas, mas tem apenas oito carros à disposição.
Paulo Miranda foi eleito presidente da Câmara em janeiro após derrotar Boanerge dos Santos por 10 votos a 9. Boanerge perdeu o apoio de parte dos parlamentares ao se negar a rescindir o contrato que havia cedido os 12 motoristas à Prefeitura.
Todos os sete vereadores envolvidos na ‘Farra’ que continuam na Câmara votaram em Paulo Miranda: Diego Fonseca (PSDB), Douglas Carbonne (DEM), Jessé Silva (PL), Dentinho (PSL), Nunes Coelho (Republicanos), Bobi (PSDB) e Vivi da Rádio (Republicanos).
SEM RESPOSTA.
Como a Câmara se manteve em 2019 e 2020 com oito motoristas e oito veículos, a reportagem questionou se haveria demanda suficiente para o número de profissionais passar para 20 e o de veículos para 21. Não houve resposta.
O Legislativo também não explicou como tem sido feita, desde janeiro, a distribuição de escala dos 20 motoristas e dos oito veículos, para que todos trabalhem efetivamente e isso não configure um desperdício de dinheiro público.
Outra pergunta não respondida pela Câmara foi o motivo de a licitação prever a locação de até 21 veículos, sendo que a frota do Legislativo já conta com oito carros atualmente.
A Câmara também não respondeu sobre a disparidade entre o número de veículos que serão locados (21) e o de motoristas (são 20, mas dois estão afastados temporariamente das atividades – um por seis meses e outro por dois anos – por questões de saúde, passando para 18 profissionais na ativa). Uma decisão judicial de 2014 determina que apenas os motoristas concursados podem dirigir os veículos do Legislativo.

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