Saud mira eleitorado de direita, e Loreny diz que não troca cargos por apoio

Primeiro debate e retomada da propaganda eleitoral evidenciam as estratégias que as campanhas de Saud e Loreny irão adotar no segundo turno para a Prefeitura de Taubaté

Julio Codazzi | @jornalovale

O primeiro debate entre os dois candidatos, na quinta-feira (19), e a retomada do horário eleitoral, na sexta-feira (20), evidenciaram as estratégias que as campanhas de José Saud (MDB) e Loreny (Cidadania) irão adotar no segundo turno para a Prefeitura de Taubaté.

Como essa segunda etapa da campanha é curta, e já será resolvida no domingo que vem (29), os concorrentes se apressam para tentar conquistar os eleitores que votaram em outros postulantes no primeiro turno, no dia 15.

E há muito espaço para crescer. Somados, Saud (28,81%) e Loreny (25,40%) tiveram pouco mais da metade (54,21%) dos votos válidos no primeiro turno. E a única simulação de segundo turno feita até agora, medida pela pesquisa Ibope/TV Vanguarda na reta final de primeiro turno, apontou um empate técnico na simulação entre os dois candidatos: Saud aparecia com 40% das intenções de voto, Loreny 38%, brancos e nulos somavam 16% e aqueles que não sabiam ou não responderam, 5%.

‘FAMÍLIA’.

Na primeira peça do horário eleitoral no segundo turno, a campanha de Saud enfatizou que Taubaté decidiu pela “mudança” e que está na hora da “experiência”, em uma clara alusão à diferença de idade dos dois candidatos – Saud tem 57 anos e Loreny tem 29 anos.

O candidato do MDB também citou diversas vezes o termo “família”. “Você me conhece, conhece a minha família”, disse em um dos trechos do bloco. “Pode confiar que nós vamos cuidar de você e da sua família”, afirmou em outro.

O termo “família” passou a ser utilizado com mais ênfase por Saud logo após o resultado do primeiro turno. É um termo direcionado ao eleitorado de direita e centro-direita. Nas redes sociais, apoiadores do candidato do MDB têm usado como principal argumento contra Loreny que ela seria de esquerda – o que a candidata do Cidadania nega.

Sobre propostas, Saud dedicou a primeira aparição no rádio e na TV no segundo turno para abordar compromissos na área da saúde, como zerar a fila de espera para procedimentos com médicos especialistas e ampliar de 29 para 80 o número de equipes do ESF (Estratégia de Saúde da Família).

‘TODAS AS FAMÍLIAS’.

Loreny abriu seu programa ao lado do candidato a vice-prefeito de sua chapa, Coronel Paulo (Solidariedade). Policial militar da reserva e eleitor assumido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo é visto como uma aposta para tirar da campanha o rótulo de ser de esquerda – que os adversários tentam emplacar.

Sem citar Saud, Loreny disse que fez uma campanha “transparente” e “com propostas”, e que “não vai negociar cargos em troca de apoio”. Nos dias anteriores, dois candidatos derrotados no primeiro turno – Capitão Souza (PRTB) e Dodô (PTC) – anunciaram apoio a Saud no segundo turno. Fontes ouvidas pela reportagem disseram que o apoio de Capitão Souza estaria condicionado à nomeação para secretário de Segurança num eventual governo, o que o candidato do MDB nega.

No programa eleitoral, Loreny disse que “nós queremos o apoio de todas as pessoas, mas não vamos trocar cargos políticos por apoio”. A candidata do Cidadania afirmou ainda que definirá seus secretários por meio de votação direta dos servidores, que escolherão a partir de uma lista tríplice formada “por currículo”. Aproveitou para fazer outras promessas para o funcionalismo, como implantar o plano de carreira e a lei do 1/3 para professores, realizar concursos públicos para a área de educação, garantir o reajuste salarial anual e criar um auxílio-alimentação.

Loreny disse ainda que quer uma “Taubaté de todas as famílias” e dedicou parte do tempo a rebater ataques. “Eu não vou fazer banheiro unissex nas escolas em Taubaté. E mais uma fake news: estão falando de novo que sou a favor de homem que bate em mulher. Que absurdo”.

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