Eleição atípica, por pandemia, dificultou campanha de Cursino, analisa Ortiz

Após campanha fracassada, prefeito comenta críticas sobre demora para o anúncio do candidato a prefeito, erro na escolha da vice, atritos internos e ‘salto alto’

Julio Codazzi | @jornalovale

Demora para o anúncio de quem seria o candidato a prefeito, erro de avaliação na escolha da candidata a vice, falhas na coordenação da campanha e ‘salto alto’.

Para quem participou da fracassada campanha de Eduardo Cursino (PSDB) à Prefeitura de Taubaté, esses foram os principais fatores que fizeram com que o postulante da situação, indicado pelo prefeito Ortiz Junior (PSDB), sequer chegasse ao segundo turno – com 33.960 votos, Cursino ficou 7.241 votos atrás de José Saud (MDB) e 2.373 atrás de Loreny (Cidadania), que disputam o segundo turno.

Ouvido pela reportagem, o prefeito, que foi o principal fiador da campanha de Cursino, admitiu parte dos erros, mas disse não acreditar que outros desses fatores tenham influenciado no resultado. “Acho que não tem culpado, não tem um fator decisivo, ou dois fatores decisivos. A população que escolhe, e ela escolheu de outro jeito”, disse Ortiz. “É a população que decide, ela que escolhe. Ela escolhe a proposta melhor colocada para ela naquele momento. E ela entendeu que as duas propostas, que ela vai discutir agora no segundo turno, são a do Saud e a da Loreny”, completou o tucano.

DEMORA.

Dos erros apontados por quem participou da campanha, a demora na definição do nome de Cursino foi um dos principais. Até o início de junho, quando a eleição ainda estava prevista para outubro (posteriormente, foi adiada para novembro), ainda eram pelo menos quatro os nomes cotados: além de Cursino, que atuava como secretário de Planejamento, eram citados outros dois secretários (Claudio Macaé, da Educação, e Johnny Oliveira, de Desenvolvimento e Inovação) e o vereador Guará Filho, todos do PSDB.

Macaé e Johnny só foram descartados em junho, ao não deixarem a Prefeitura dentro do prazo de desincompatibilização. Guará Filho só virou carta fora do baralho no dia 22 de julho, quando foi alvo de uma ação do Ministério Público, que aponta o parlamentar como pivô de um esquema que teria desviado ao menos R$ 2,3 milhões da Prefeitura. E, mesmo assim, Cursino só teve a candidatura oficializada no início de setembro, faltando 70 dias para o primeiro turno.

Ortiz reconhece que o tempo ficou curto para apresentar Cursino ao eleitorado, mas também culpa a pandemia pela situação atípica. “Até a véspera da eleição, nosso tracking – a gente fazia um tracking diário, com 300 entrevistas todos os dias – apontava ainda um desconhecimento dele [Cursino] pela população, e um desconhecimento do nosso apoio ainda a ele. Mas isso se deve, obviamente, à pandemia. A gente passou seis meses dizendo às pessoas ‘fica em casa, fica em casa, fica em casa’, e aí obviamente as pessoas ficaram atentas a outras coisas, que não obviamente à campanha eleitoral, tanto que um volume enorme de eleitores não foi votar”, disse. “Acho, também, que uma parte das pessoas também não vê mais o programa de televisão, não tem mídia social. E a campanha de rua, uma qualidade grande das nossas campanhas, não conseguiu atingir todo mundo, principalmente porque as pessoas estão em casa, não estão na rua, não estão circulando, não estão falando”.

PROBLEMAS.

Os outros problemas são relacionados. A escolha de Rosa Celano (PSDB) como vice, que foi uma decisão comunicada por Ortiz aos demais partidos em agosto, desagradou grande parte do grupo. O Republicanos, que desejava indicar o vice, passou a apoiar Saud. O PSD também quase desembarcou da coligação.

A partir daí, um excesso de otimismo teria tomado o seleto grupo que coordenava a campanha. Com o ‘salto alto’, atividades de rua foram menosprezadas e apoiadores importantes, como vereadores do próprio PSDB, foram colocados de lado – Bobi e Diego Fonseca, por exemplo, fizeram críticas públicas à campanha. “O Bobi tem razão em parte dessas críticas, até porque, realmente, nós não tivemos o recurso de fundo eleitoral para todos os candidatos a vereador do partido. Nós tivemos somente para alguns e isso, realmente, o descontentou”, disse Ortiz. “Entendo que o saldo geral é de uma coligação que procurou trabalhar o máximo possível para o Eduardo, um esforço máximo, nós fizemos inúmeras reuniões, em que os vereadores da coligação, os candidatos, estiveram juntos, e a gente pôde passar mensagem de necessidade de trabalho, de necessidade de intensificar os esforços na reta final. Não acho que esses 2.000 votos que faltaram, faltaram em razão dessa questão de, eventualmente, receber críticas de alguns dos vereadores”, finalizou o prefeito.

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