Felicio vai mudar dois terços do secretariado e prorrogar concessão do transporte público

Em entrevista exclusiva a OVALE, prefeito reeleito destaca primeiros passos dos próximos quatro anos em São José; tucano recebeu 58,2% dos votos

Thaís [email protected]_thaisleite | @jornalovale

Reeleito com 58,2% dos votos em São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB) já começa a traçar os passos dos próximos quatro anos na cidade.

Em entrevista a OVALE, o tucano apontou mudanças em ao menos dois terços do secretariado e confirmou que deve ser necessária a prorrogação do contrato das concessionárias do transporte. Confira:

Como avalia a eleição?

O processo eleitoral foi bastante diferente da outra eleição que eu participei, primeiro o fato de estar à frente da Prefeitura e segundo uma campanha num momento de pandemia. O que nos ajudou muito foi ao longo do governo a gente ter realizado o olho no olho, estar próximo da população e presente em todas as regiões da cidade. O que a gente pretende agora, para o próximo governo, é continuar muito próximo da população, presente, levando serviços públicos e, também eu que vou continuar andando pela cidade, escutando as pessoas para que a gente possa implementar as melhores políticas públicas. O resultado da eleição demonstra que a população acredita que o nosso governo acertou muito mais do que errou e agora nós temos uma oportunidade de melhorar pontos onde a gente não foi tão bem sucedido na primeira gestão.

Como será a transição?

Apesar de ser um governo do mesmo prefeito nós fazemos questão de realizar essa transição, até porque ao longo da campanha nós falamos sobre uma mudança, que a mudança não pode parar e a gente deve permanecer mudando, transformando a cidade viva, dinâmica e ela precisa sempre de novas oportunidades. Além disso, eu tenho como obrigação como gestor público dar oportunidade para a cidade ter a geração de novos gestores públicos, então a gente deve, no nosso governo, mais ou menos dividir, um terço dos secretários devem permanecer nas mesmas pastas, outro terço deve trocar de pasta mas o secretário permanecer e o outro terço a gente deve dar espaço para novas pessoas. É mais ou menos isso o que deve ser feito, não existem ainda nomes confirmados, mas esse é o nosso objetivo. A transição vai ser feita para dar toda a transparência, nós vamos publicar todas as ações da transição em um site para que qualquer um possa ter acesso e a gente tem o registro histórico, assim como a gente teve em 2016 quando a gente fez a transição com o governo do PT.

Há algo que faria diferente?

Administrar uma cidade é estar em constante questionamento. Em todo momento a gente tem que tomar muitas decisões num único dia e é claro que dentre as decisões sempre pode acontecer de uma delas não ser a decisão mais adequada. Mas eu acredito que isso infelizmente vai continuar acontecendo, porque é um volume tão grande de decisões, mas a gente tem que ter a humildade para reconhecer quando pode fazer algo que vai prejudicar a maioria das pessoas e poder dar um passo para trás para poder fazer com que a cidade possa avançar. Para mim, fica claro que num momento onde a gente tenha essa identificação a gente tem que ter a humildade de reconhecer para poder voltar a prestar o melhor serviço em uma área. Agora, é sempre importante que a população tenha em mente algo que eu sempre pensei: eu sou o prefeito da cidade, não o prefeito de um nicho, de um setor, de uma área da cidade. Então às vezes, uma decisão pode até prejudicar uma pequena parte ou um grupo de pessoas, mas ela tem que beneficiar a grande maioria da cidade. É assim que eu penso todo dia ao tomar uma decisão.

Como vê a renovação da Câmara?

Nós já esperávamos, até porque cinco cadeiras já estavam disponíveis. Primeiro, o PSDB que tinha sete cadeiras na verdade tinha cinco, adicionou duas ao longo do mandato, agora no finalzinho, então a gente esperava que fizéssemos cinco cadeiras de novo, sendo a maior bancada, então duas vagas já estariam disponíveis pelo próprio PSDB. Depois, nós tínhamos duas vagas que foram de candidatos a prefeito, que deixaram seus cargos para se candidatar, além de uma vaga de uma vereadora que não era candidata. Isso já abria cinco novas vagas e as outras seis, que agora são novas, uma delas já era ocupada por um vereador que inclusive estava na Câmara por causa da licença da candidata a prefeita, que é o vereador José Luis. Então são cinco novas cadeiras e vai ser bom, vai ser bom para oxigenar a Câmara, a gente teve a oportunidade de ter mantido também 11 nomes de pessoas que cumprem um bom trabalho, por isso, foram reeleitos dentro de sua área de atuação, a população reconheceu o trabalho que eles fizeram, mais do que isso, reconheceu que eles tem a capacidade de se renovar para os próximos quatro anos.

Vereadores não reeleitos devem integrar a gestão?

Quando nós fizemos em 2016, 2017, nós tivemos nove vereadores eleitos pela nossa coligação, esse ano foram 14 vereadores eleitos pela nossa coligação, além de outros vereadores que a gente pode ter oportunidade de tê-los junto da nossa bancada. Em relação a nomes que não foram eleitos ou qualquer formação de governo, isso a gente só vai definir ao longo dessa transição, depois do dia 15 de dezembro a gente deve anunciar os nomes que serão substituídos ou que entrarão no lugar de outros nomes dos secretários. Não existe nenhuma definição.

Há risco de segunda onda?

O aumento é fato, aqui em São José nós também tivemos esse aumento, tanto de internações, como de casos positivos, mas muito aquém do que se diz de uma segunda onda. Nós chegamos a ter 17 pessoas internadas no Hospital Municipal, hoje temos 24. Então houve sim um aumento, mas muito longe dos 150, 160 que nós já tivemos internadas no Hospital. Então a gente não acredita que a segunda onda aconteça no nosso estado e na cidade de São José dos Campos, porque o platô foi muito longo, muito extenso. Agora, a pandemia não vem com um manual de instrução, a gente tem que continuar acompanhando, escutando especialistas, lendo muito. Sem dúvida nenhuma, a área do emprego, do pós-pandemia, independente de segunda onda ou não, é o grande desafio para todos os prefeitos do Brasil e até de fora, ainda mais com essa segunda onda. Então, a gente precisa focar na oportunidade de geração de emprego e renda e por isso nós temos várias propostas.

E a economia?

Têm muitos setores da economia que estão muito aquecidos, mais aquecidos que o normal. Vou citar um: materiais de construção. Hoje a gente já tem um risco até de ter inflação, voltar com uma grande inflação por conta da falta de produtos, falta de matéria prima, falta de embalagens, falta de materiais de ferro. Então isso tem colocado em xeque muitas questões. Nós temos a questão da Embraer, que é um problema grave por conta da Boeing, da parceria que foi desfeita e também da pandemia que diminuiu o número de encomendas. A Embraer não perdeu nenhum pedido, mas eles foram postergados, prorrogados e a expectativa da Embraer é a de que no final do ano que vem as coisas estejam começando a voltar ao normal. Do ponto de vista da indústria, todas as indústrias de São José investiram, investiram e muito em suas linhas de produção, mas o investimento nas indústrias não está associado mais à geração de emprego, infelizmente isso não acontece a mais. Hoje, quando uma indústria, como a GM, por exemplo, que vai tornar a fabrica de São José uma das mais modernas do mundo, a Johnson que já investiu, a própria Ericsson com o 5G, esse investimento não está associado diretamente à geração de emprego e é por isso que a gente tem que dar outras oportunidades. A capacitação, por exemplo, qualificação para os funcionários da Embraer, nós criamos os cursos do 'Qualifica' que a Embraer nos solicitou, achou que seria cursos adequados para poder dar oportunidade para esses trabalhadores; simplificação do ISS, com o 'Simplifica ISS' a gente quer simplificar as alíquotas de ISS, a revisão das leis de incentivo e as ajudas para a população através do Pró-Trabalho, abrindo duas mil novas vagas e o agente cidadão para jovens. Vale lembrar que agora a gente tem mais facilidade, porque nós saímos do período eleitoral, o período eleitoral restringia uma série de ações de benefício para a pessoa. Inclusive, por exemplo, nós propusemos o 'voucher música' para ajudar os músicos, onde a prefeitura paga o cachê do musico para ele fazer uma apresentação em bar e restaurante, então a gente ajuda os dois setores.

Prioridade na saúde? 

A primeira questão é a questão do UBS Resolve, ampliar a qualificação do atendimento, por exemplo, com ultrassom para acompanhar a gravidez, mas também um investimento no Hospital Municipal com a ampliação de leitos. Quando terminar a pandemia a gente consegue usar o Hospital de Retaguarda como o novo pronto-socorro do Hospital Municipal, isso abre espaço, reformar os salões, as enfermarias coletivas, dando mais conforto e privacidade. Aumentar o número de cirurgias, porque no Hospital Clínicas Sul nós vamos criar um novo centro cirúrgico, inclusive com UTI também e um tomógrafo. Nas especialidades, fazer o que nós já conseguimos fazer com algumas especialidades, como cardiologia, oftalmologia, ortopedia, que nós conseguimos zerar a fila. Quando a gente fala em zerar a fila, é atender em até 30 dias as consultas nessas especialidades. A gente quer fazer isso com as outras especialidades, para isso a gente precisa primordialmente contratar serviços, a gente acredita que assim a gente consegue ser mais ágil para atender a população e também contratar profissionais da área da saúde, se for o caso. A telemedicina que veio para ficar, a gente espera que após a pandemia a autorização para a telemedicina continue e na parte de exames a telemedicina é muito importante. Hoje, tomografia e ressonância, que aliás nós temos uma grande fila de ressonância, agora nós temos todos esses tipos de exame feitos à distância, um operador à distância. Aliás, uma das empresas principais no mercado está se instalando em São José dos Campos, no Parque Tecnológico, assim como um grupo de diagnostico que está vindo para a cidade e provavelmente vai poder nos ajudar na prestação de serviços de exames de alta complexidade, como é o caso da tomografia e da ressonância.

Alguma medida impopular deve ser tomada?

No último mês fechado, São José arrecadou mais ICMS, 2% a mais do que estava previsto no orçamento no ano passado, sem pandemia. Eu estava com a secretária Patrícia Ellen [de Desenvolvimento Econômico, do governo de SP] e ela disse que o Estado está partindo para uma recuperação em V e a gente percebe isso pelo ICMS, imagina que ele já superou a expectativa de antes da pandemia, foi o que aconteceu, então a gente não identifica um cenário de grande queda de arrecadação para o ano que vem não. Caso isso aconteça, a gente precisa tomar decisões, assim como a gente já fez na época quando a gente assumiu o governo da gestão passada, com uma dívida gigantesca, R$ 300 milhões, mais de cinco mil fornecedores atrasados. A cidade nunca vai voltar a ter isso, mas se a gente precisar apertar ainda mais os investimentos a gente vai fazer sim. Mas não existe nenhuma previsão também, até por conta do cenário de qualquer tipo de aumento acima da inflação para qualquer outro tipo ou a implementação de novas taxas, impostos na nossa cidade, muito pelo contrário, a ideia do 'Simplifica ISS' é algumas alíquotas até abaixar se for necessário.

A concessão do transporte vencerá em fevereiro. Será preciso prorrogar?

Já foi feita uma prorrogação durante a pandemia. Se eu não me engano, existiam duas empresas em que o contrato terminava em junho deste ano e uma das empresas em fevereiro de 2021, o que nós fizemos foi juntar a data de término para fevereiro de 2021. Então nós já fizemos isso com duas empresas que estavam operando, inclusive para juntar tudo em um único momento para que pudéssemos fazer a nova concessão. Provavelmente isso vai acontecer, provavelmente vai ter que haver sim a prorrogação desse contrato até pela situação legal que a gente viveu. O contrato, o serviço do sistema de ônibus já passou da hora de ser renovado. É claro que a oposição acabou barrando esse processo utilizando da Justiça, Tribunal de Contas, enfim. Nós vamos vencer essa etapa, eu tenho certeza, nós estamos quase com o julgamento do Tribunal de Contas e da própria Justiça em relação às audiências públicas para que a gente possa retomar, fazer as audiências que forem necessárias, a gente não tem nenhum problema de conversar com a cidade, com a população. A única questão é que a Justiça não diz como ela gostaria que fosse feito, senão ficaria fácil, a gente faria exatamente como eles estão mandando. Então a gente está aguardando o Tribunal de Contas que talvez eles opinem também sobre isso, sobre como fazer as audiências públicas nesse momento de pandemia porque está passando da hora do cidadão de São José ter um novo sistema de transporte. Acho que um dos objetivos era de fato desgastar nossa gestão ao longo desse processo eleitoral, mas como já passou o processo eleitoral, a gente acredita que vai ter mais tranquilidade para até o meio do ano que vem a gente já conseguir, de fato, concluir esse processo da concessão, paralelo a isso a Linha Verde, que é uma grande mudança no transporte no dia a dia das pessoas.

Linha Verde: como e quando?

Dezembro de 2021. O bilhete único é o mesmo para todos, a operadora que ganhar a concessão, uma delas vai operar também a Linha Verde usando os veículos adquiridos pela prefeitura. Então vai ser muito bom para essa operadora porque ela não vai ter o custo de aquisição desses veículos, tudo isso vai ser diluído no valor da tarifa, que aliás a concessão será concedida a quem oferecer o menor valor da tarifa, isso não significa que vai abaixar, que a gente tem certeza e convicção que o preço da tarifa vai abaixar, mas quem oferecer o menor valor daquela tarifa que nós temos hoje, que teremos na época da concessão corrigida pela inflação, é quem vai ser o vencedor da licitação, que vai ter que operar todo o sistema o mesmo valor, inclusive com a integração para a Linha Verde. E, a novidade que o bilhete único poderá ser utilizado no alternativo, não com a integração, mas pelo menos com a utilização do bilhete único nos alternativos também.

E o caso do Banhado?

Esses são dois pontos que vou me empenhar pessoalmente desde já: a concessão do transporte e essa questão da solução para o banhado, para que a gente consiga chegar no melhor denominador possível. É possível oferecer uma solução para eles que vai melhorar a qualidade de vida deles e que vai oferecer para a cidade o Parque do Banhado, a gente tem que pensar sempre na cidade, mas é possível sim, é importante que a Justiça nos ajude nessa conciliação, vamos chamar assim, para que a gente possa oferecer boas condições. Lembrando que a nossa proposta sempre permanecerá sendo a liberação de toda a área do Parque do Banhado, mas há possibilidade de fazer com que essas pessoas que saírem possam ser compensadas por deixar aquela área. Com a ajuda da Justiça, eu espero que a gente consiga uma boa negociação e isso se torne realidade o mais rápido possível. Se depender de mim, da Prefeitura, eu vou estar à disposição dos moradores do Banhado para a gente discutir a melhor proposta e, da Justiça, para que ela possa em conjunto oferecer a melhor solução.

Qual será a marca da sua próxima gestão?

Eu acredito que até pelo resultado da eleição ficou claro que a nossa grande marca foi estar presente, estar presente em todas as regiões da cidade. Tanto eu, pessoalmente, porque conheço cada canto da cidade, costumo ficar muito mais o meu tempo fora do gabinete do que dentro do gabinete, quanto dos serviços da Prefeitura e até mesmo das obras. Não existe uma boa prestação de serviço público se não existir uma boa infraestrutura para que isso aconteça. Então, quando a gente faz uma escola como a escola do Pinheirinho dos Palmares, que é a mais bonita e uma das maiores escolas de São José dos Campos, a gente está atendendo as pessoas, quando a gente realiza uma pequena obra de uma viela no Pousada do Vale, no Dom Bosco, no República, a gente está atendendo as pessoas. Quando a gente faz uma grande obra como a Via Cambuí, a ponte estaiada, a continuação da Via Oeste, a ligação da Evangélicos com a Salinas, a gente está atendendo as pessoas. Acho que a grande marca que eu quero para a nossa próxima gestão é permanecer presente, os braços da prefeitura em todas as regiões da cidade, mas principalmente atendendo a todos e àqueles que mais precisam. A gente quer continuar com essa mesma marca, a marca de quem cuida das pessoas, através daquilo que for necessário, de obras, programas, ações, atendimentos. E a população parece que entendeu isso, compreende e reconhece os braços da prefeitura em todas as regiões, por isso que a gente tem 84% de ótimo, bom e regular na avaliação da nossa gestão e tivemos esse resultado na eleição. A gente quer continuar atendendo a todos, agora é uma oportunidade, a gente acertou muito mais do que errou, e é uma oportunidade para a gente identificar alguns pontos para fazer melhorias.

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