Vereadores que não conseguiram se reeleger em Taubaté analisam resultado das urnas

Dos 12 parlamentares que disputaram a reeleição, três não estarão na Câmara na próxima legislatura: Bilili de Angelis (PSDB), Guará Filho (PSDB) e Adauto da Farmácia (Cidadania)

Julio Codazzi | @jornalovale

Dos 12 vereadores de Taubaté que disputaram a reeleição, apenas três não estarão na Câmara na próxima legislatura.

São eles: Bilili de Angelis (PSDB), Guará Filho (PSDB) e Adauto da Farmácia (Cidadania).

Cada um apontou fatores diferentes para justificar o insucesso nas urnas. Para Bilili, por exemplo, o alto número de candidatos (eram 389 na eleição passada, e foram 494 esse ano, um aumento de 27%) dificultou as campanhas. O tucano, que obteve 2.186 votos (o sexto mais votado no geral), disse ainda que a baixa votação de outros candidatos do PSDB fez com que o partido, que tem quatro vereadores atualmente, elegesse apenas dois para a próxima legislatura. “Fui o sexto mais votado, voto sobrou. Foi questão da legenda, o PSDB foi mal. Só tinha vereador para puxar voto, não tinha outros candidatos que ajudassem a puxar”, analisou.

Para Adauto, que teve 647 votos, a pandemia atrapalhou. “Infelizmente não ganhamos. Tivemos muita abstenção e locais de votação que mudaram e a população foi prejudicada”.

INVESTIGADO.

Guará Filho (PSDB), que obteve 853 votos, não atendeu a reportagem, mas comentou o resultado na tribuna. O tucano, que chegou a ser cotado como pré-candidato à Prefeitura pelo partido, disse ter sido vítima de “sujeira” e de “fake news”.

“O que deixa a gente mais enojado, em relação à política taubateana, é a sujeira”, afirmou, dizendo que conseguiu votos mesmo “em meio à tanta notícia, a tanta fake news”.

“Fui lisonjeado com o convite do prefeito Ortiz Junior, em abril de 2019, para ser pré-candidato a prefeito pelo PSDB. Depois de um mês que anunciei nessa tribuna que eu era candidato a prefeito pelo PSDB, comecei a receber ameaças de sequestro”, afirmou. “Existiam pessoas ao lado do prefeito Ortiz Junior que não aceitavam meu nome”, acrescentou. “Meu nome começou a crescer demais nas pesquisas. No início do ano, chegava a 26%, 27% de intenção de voto. O prefeito Ortiz Junior ratificou meu nome como pré-candidato, dentro do grupo. Aí tenho a péssima surpresa de, faltando 10 dias para o prefeito anunciar meu nome como pré-candidato do PSDB, uma busca na minha casa, uma busca na Câmara, para apurar se existe irregularidade. Fiquei muito surpreso com o que aconteceu”, completou Guará.

A operação citada pelo vereador foi realizada no dia 22 de julho pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público que atua na esfera criminal. Para o MP, Guará Filho é o mentor de um esquema que teria desviado R$ 2,319 milhões da Prefeitura apenas de janeiro de 2016 a outubro de 2019, por meio do Sindicato dos Servidores (ele é presidente da entidade, mas está licenciado desde outubro de 2017). Entre os crimes apurados, até agora, estão lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa, fraudes contratuais e peculato.

Na tribuna, Guará Filho afirmou ser inocente e disse que “a Prefeitura errou o pagamento para o servidor”. “Quiseram me envolver em um desvio de recursos públicos. Como vou desviar recursos públicos se não assino cheque da Prefeitura?”, indagou.

O vereador afirmou ainda que, apesar de não ter sido reeleito, pretende continuar na política, mas talvez em outro grupo. “O que eu sinto hoje na pele, não sendo reeleito, é o reflexo de toda essa sujeira da politica de Taubaté”, disse. “Eu tenho que refletir muito sobre o que aconteceu, se eu devo continuar nesse grupo. Não adianta o prefeito Ortiz Junior me achar capacitado, se as pessoas no entorno tentarem me boicotar”.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.