Vereadores que não conseguiram se reeleger em São José analisam resultado das urnas

Fatores como alta abstenção, número elevado de candidatos e campanhas alteradas devido à pandemia do coronavírus foram citados para justificar a não reeleição

Julio Codazzi | @jornalovale

Alta abstenção, número elevado de candidatos e campanhas alteradas devido à pandemia do coronavírus.

Para os oito vereadores da Câmara de São José dos Campos que buscavam a reeleição e não tiveram sucesso, esses fatores explicam o fracasso nas urnas.

“A gente teve uma situação de abstenção, votos nulos e brancos que chegou a pouco mais do que 30%, né?”, analisou Calasans Camargo (PSDB), que obteve 2.400 votos. “Foi uma eleição atípica no nosso caso, devido à situação esportiva, que nós não tivemos eventos esse ano, ficamos muito longe do nosso público. Esse distanciamento dos eventos esportivos, das famílias, as academias todas fechadas, que é um reduto muito forte nosso, e mesmo nas ruas, a gente teve dificuldade para ir às ruas”, acrescentou. “Caímos muito nossa votação, praticamente 1.000 votos da eleição passada, isso nos atingiu bem”, concluiu Calasans.

“Nesta eleição, também houve uma campanha contra os vereadores, que acabou provocando um desgaste nos candidatos com mandato. Houve o desgaste, lideranças que estariam com o vereador e acabaram se lançando candidatos, tem a estratégia de campanha e o volume de candidatos disputando a mesma fatia do eleitorado, enfim, uma enormidade de fatores”, afirmou Dilermando Dié (PSDB), que obteve 1.103 votos. “Na região que atuo, por exemplo, tínhamos seis candidatos com mandato disputando votos, sem contar os demais. O mar se tornou pequeno para tantos pescadores de votos”, completou.

A disputa interna em um mesmo partido também foi apontada como fator decisivo. No PSDB, por exemplo, apenas três dos sete vereadores foram reeleitos – outros dois novatos da legenda assumirão em 2021. “O PSDB estava inchado, eram nove pessoas disputando cinco cadeiras. Era uma disputa bem acirrada. E a pandemia também atrapalhou, porque perdemos muito contato com as pessoas. Minha campanha dependia de reuniões, contato com pessoas”, disse Sergio Camargo (PSDB), que obteve 3.266 votos.

“Na janela [partidária], quando o PSDB passou de cinco para sete vereadores, a gente já sabia que alguns não conseguiriam se reeleger”, disse José Dimas (PSDB), que teve 3.081 votos. “A pandemia contribuiu para uma alta abstenção, muita gente não foi votar. O fim das coligações também elevou muito o número de candidatos a vereador. Foi uma eleição muito diferente”, analisou Dimas.

Na eleição de 2016, um total de 393 candidatos disputaram uma vaga na Câmara de São José. Esse ano foram 599, um crescimento de 52%. Para Cyborg (Cidadania), que obteve 3.011 votos, fatores como “muitos candidatos, a quantidade exuberante de partidos no Brasil, e a regra eleitoral [do quociente]” impediram sua reeleição. “Fiquei feliz com minha votação, ela não caiu. Ficou igual ao de quatro anos atrás. O que complicou foi o quociente”, disse. “O tempo de campanha foi muito curto, praticamente 35 dias, já que os primeiros servem para abrir conta, esperar material. Como, em 35 dias, visita todos os bairros de São José dos Campos? Nas redes sociais, a campanha ficou muito cara também”, completou Cyborg.

“A pandemia atrapalhou todos nós, acho que não só eu. Mas foi terrível porque impediu de desenvolver a campanha tradicional, de rua. Mas também houve uma grande abstenção, que pesou muito”, analisou Valdir Alvarenga (Solidariedade), que teve 2.005 votos. “Houve também um grande desejo de renovação, não só aqui, mas no país todo”, acrescentou.

Esdras Andrade (Podemos), que obteve 6.616, não conseguiu se reeleger, embora tenha sido o quarto candidato a vereador mais votado na cidade. O parlamentar não comentou o resultado ao jornal. Maninho Cem Por Cento (Solidariedade), que teve 1.295 votos, também não se pronunciou.

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