Região fecha 27 mil postos de trabalho com a Covid-19

Crise do novo coronavírus foi a responsável por quase a metade dos empregos fechados na região desde a crise econômica, em 2014; especialista ainda não enxerga luz no fim do túnel

Xandu Alves @xandualves10 | @jornalovale

A pandemia do coronavírus agravou o que já era crítico e foi a principal responsável pelo corte de 27 mil empregos no Vale do Paraíba no primeiro semestre, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

É o pior resultado de toda a série histórica do Caged, que começa em 2007.

Em seis meses, a região perdeu mais empregos do que nos anos anteriores -- estes considerando os 12 meses.

Até então, o pior ano da série é 2015, com 24,5 mil empregos perdidos.

Com os cortes de 2020, o desemprego ceifou quase 70 mil postos de trabalho na região desde o início da última crise econômica, em 2014. São quase 900 vagas perdidas por mês.

Desde o início da pandemia, com os primeiros casos confirmados em março, a região vem perdendo empregos formais. Os números negativos eclipsaram os resultados do início do ano, com 187 e 1.893 vagas geradas em janeiro e fevereiro, respectivamente.

O desastre começou em março (-6.989 empregos cortados) e duplicou em abril (-13.513), mantendo o saldo negativo nos dois meses seguintes: -6.104 (maio) e -2.553 (junho). O salto é de 27.066 empregos fechados no primeiro semestre.

Até então, o primeiro semestre com a maior perda de empregos na região havia sido em 2015, com 11,3 mil vagas cortadas. Em 2008, a região criou 19,5 mil empregos nos seis primeiros meses do ano.

REGIÃO.

Em junho de 2020, apenas oito das 39 cidades da região tiveram saldo positivo de emprego, sendo Piquete a melhor delas, com 45 vagas criadas. Três municípios tiveram saldo zero e outros 28 perderam postos de trabalho no mês.

Os que mais cortaram foram Taubaté (-683), São José dos Campos (-490), Pindamonhangaba (-247), Guaratinguetá (-217), Caçapava (-179) e Caraguatatuba (-146).

No primeiro semestre, São José acumula 7.789 empregos perdidos, seguida de Taubaté (-4.764), Ubatuba (-2.074), Jacareí (-1.938), Caraguatatuba (-1.665), Aparecida (-1.463) e Guaratinguetá (-1.320).

SETORES.

Segundo o Caged, o Vale tem 74.274 admissões no primeiro semestre de 2020, com 101.340 demissões e saldo de 27.066 empregos perdidos.

O setor que mais cortou vagas foi o de serviços, com 13.849 postos de trabalho fechados de janeiro a junho, 51% do total da região. O mesmo percentual para as admissões e demissões da área de sérvios, com 38.161 e 52.010, respectivamente.

Na sequência, o comércio fechou 31% das vagas no Vale, demitindo 8.283 pessoas no primeiro semestre. A indústria cortou 15% do total das demissões, com o fechamento de 4.093 postos de trabalho. A construção civil mandou embora 717 pessoas de janeiro a junho, 2,65% da região. A agropecuária fechou 1145 empregos (0,42%).

"Não há precedentes para essa crise. O término dela depende da duração da pandemia", diz Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral e ex-diretor para a Europa do Banco Mundial.

"Começou com o impacto na oferta e depois problema no mercado de trabalho, além de impacto da demanda pela incerteza, que é uma característica dessa crise"..

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