Perto do fim do segundo mandato, Guidoni diz que mudou Campos do Jordão

No último de seus oito anos como prefeito de Campos do Jordão, Fred Guidoni valoriza evolução na gestão pública e diz que município ainda precisa avançar na área da habitação

Caíque [email protected] | @caiquetoledo

Chegando ao fim de seus dois mandatos, o prefeito de Campos do Jordão, Fred Guidoni (PSDB), afirma que mudou a cidade em seus quase oito anos de gestão.

O tucano diz que seu sucessor receberá um município "funcionando" e uma prefeitura "organizada."

1) Qual sua avaliação dos anos de governo?

Nestes quase oito anos à frente da Prefeitura mudamos a cidade. Em 2014 recebíamos cerca de 1,5 milhão de visitantes, segundo o nosso Observatório de Turismo. Em 2019, recebemos quase 5 milhões. Mudou o turismo, mudaram as oportunidades de emprego e renda, mas, sobretudo, mudou a forma de gestão. Somos um time, uma equipe de trabalho capacitada e determinada, coerente e acima de tudo profissional. Nesse novo modelo, aproximamos a Prefeitura das pessoas e vice versa. Trouxemos a sede Prefeitura que estava escondida no Morro do Elefante, para o centro da cidade. Abrimos suas portas para todos, visando o interesse público e coletivo. Vemos hoje mudanças significativas e avanços em toda parte. Vou citar algumas mais emblemáticas. Na Saúde fizemos o Hospital Municipal, ampliamos os postos em bairros e criamos um novo modelo de gestão onde todos tem acesso. Na educação valorizamos o ensino e implantamos um modelo de qualidade e respeito aos profissionais da educação e aos alunos, com o novo e moderno plano de magistério, requalificação profissional da rede, abertura de novas vagas em creches, merenda de qualidade e uniformes adequados ao nosso clima frio, com jaquetas pesadas para o inverno. Na infraestrutura, por onde você passar verá uma obra entregue ou em andamento. Ou seja, viemos numa ação crescente, ano após ano, cuidando das contas públicas, investindo na formação das pessoas e na transformação da cidade. Estamos fazendo um governo que olha para todos. Veja as festas e reuniões do Fundo Social de Solidariedade, que reúnem mais de 10 mil pessoas. Também avançamos na área do serviço público e para os servidores, que hoje tem condições dignas de trabalho, sem perseguições e um vale alimentação, seis vezes maior do que quando cheguei. A cidade voltou a crescer e se desenvolver. Temos hoje uma Campos do Jordão andando pra frente. A cidade mudou e as pessoas também. Estamos trabalhando juntos na construção de uma cidade que melhora a cada dia.

2) Qual sua expectativa para o último ano?

Estamos colhendo frutos do que plantamos. Na Administração Pública, as ações precisam ser planejadas e há um tempo grande entre o projeto e a entrega das obras. A minha expectativa neste ano é a de entregar, ou deixar bem encaminhadas, as muitas frentes de trabalho que estamos tocando simultaneamente. Estamos investindo em segurança, seja nos bairros ou centro da cidade. No centro, o programa “Asfalto Novo” está recapeamento as avenidas do eixo central e as ruas com maior intensidade de tráfego urbano. Estamos fazendo ações que tornam os bairros mais seguros, mitigando riscos e investindo na construção e padronização das calçadas. Elas são nosso principal ponto de contato não apenas com a cidade, mas também com os demais moradores. É nas calçadas que cumprimentamos quem passa ao nosso lado, conversamos, passeamos. Muito da nossa percepção de uma cidade, se forma ao caminharmos. Em Campos do Jordão criamos um fio condutor que permeia toda a cidade, tornando o caminhar seguro. É um fio que abraça toda a cidade, no mesmo padrão e que dá uma sensação de pertencimento. Ao mesmo tempo, também propomos uma nova ocupação do espaço urbano, reformando praças, criando parques e instalando academias de ginástica onde nada existia. A minha expectativa é que as pessoas cada vez mais se apropriem destas ações, que foram feitas para elas.

3- Quais projetos pretende fazer neste ano de 2020?

Acabamos de entregar a Revitalização do Centro de Controle de Zoonoses e um novo Castramóvel. Em Março, começaremos mais um programa de asfalto. Nos últimos anos fizemos o maior programa de pavimentação que a cidade já viu. Também devemos entregar em Abril uma nova creche e no mesmo mês começaremos a construção de uma obra que vai revitalizar o trânsito, eliminando um grande ponto de entroncamento. Também vamos construir, pelo menos, nove pontes que irão substituir as antigas, ainda de madeira, dando mais vazão aos rios e córregos e melhorando o trânsito de veículos e pedestres. Também finalizaremos neste ano o recapeamento das avenidas centrais e a revitalização do eixo central, com calçadas, novas ciclovias e nova iluminação em Led. Vamos entregar no segundo semestre mais uma escola na Vila Britânia, com capacidade para 450 alunos e vamos terminar a revitalização das quadras em escolas e bairros. 2020 será um ano de muito trabalho e de muita entrega de obras.

4) Das coisas que gostaria de fazer nesse mandato, o que não será possível?

Nós entregamos nestes anos um novo conjunto habitacional, que estava parado há décadas. Em parceria com a CDHU estamos obtendo as licenças ambientais para construir um novo conjunto. Mas não conseguirei entregar. A questão habitacional, em Campos do Jordão, é bastante delicada, porque não temos áreas planas, para a construção. Isso encarece o custo de cada unidade, porque antes da construção é preciso fazer a infraestrutura, o que muitas vezes requer uma grande movimentação de terra. Como o município é uma área de Preservação Ambiental, temos muito mais dificuldade em conseguir as licenças necessárias e não há, no país, um projeto habitacional específico para a construção em cidades pequenas, com muitas áreas de risco, como é a nossa. Este é um ponto em que precisamos avançar não apenas localmente, mas o país, precisa avançar mais.

 

5) Qual foi a maior dificuldade encontrada nesses três anos?

O pagamento de dívidas. Nós pagamos cerca de R$ 30 milhões em Precatórios. Também pagamos R$ 48 milhões que havia em restos a pagar. Somos uma cidade com cerca de 50 mil habitantes e um orçamento proporcional a este número. Com quase R$ 80 milhões de pagamento de dívidas, que outros fizeram, quanto mais não poderia ter sido feito com este dinheiro? Vou dar um exemplo. Campos do Jordão conta com 42 km de vias de terra na malha urbana. Este é um grande problema estrutural porque mais de 60% das ruas existentes em Campos, não tem asfalto. Em média, cada quilômetro de ruas asfaltadas, incluindo as obras de drenagem, custa em torno de R$ 1 milhão. Com o dinheiro que pagamos de dívidas, oriundas da má gestão dos recursos públicos, teríamos asfaltado todas as ruas e sobraria dinheiro! Vamos fazer agora uma obra que vai resolver um problema crônico no trânsito na chegada do Capivari. Ela custará R$ 6 milhões! Poderia continuar a citar muitas outras ações a serem feitas com o dinheiro que foi usado em dívidas. Uma gestão financeira correta, que planeja, que age respeitando as leis, com transparência é fundamental para a cidade.

6) Qual a situação atual das finanças do município?

Nós pagamos todas as dívidas imediatas que herdamos. Em 2013, quando assumi a Prefeitura, os salários e 13° dos servidores estavam atrasados. Havia credores cobrando dívidas a todo instante e nenhuma credibilidade ou dinheiro em caixa para pagar a despesa do mês. Não podíamos nem comprar um parafuso. A cidade estava quebrada! Não podia assinar convênios, por falta de prestação de contas e do cadastro de inadimplentes. Isto não acontecerá com o próximo prefeito. Ele receberá a Prefeitura sem este ônus. As contas estão em dia e a Prefeitura só compra o que pode pagar no ano e haverá superávit. Mas o futuro prefeito terá que lidar com os precatórios. Os erros do passado ainda assombrarão a gestão municipal por anos. Somos o sexto município do país mais endividado com precatórios, em relação à nossa pequena receita. Isso impede, por exemplo, que façamos financiamentos para investimento. Durante sete anos, nos debruçamos sobre isso, negociando com o Tribunal de Justiça, fazendo novas propostas de pagamento, negociando diretamente com os credores e cumprindo os acordos no limite da nossa capacidade de pagamento. Mas isso perdurará por anos e deverá ocupar grande parte do tempo do próximo prefeito ou prefeita.

7) Qual área mais evoluiu no seu governo e qual área ainda precisaria de mais?

Evoluímos muito no que diz respeito à gestão pública. Criamos um novo modelo de administração, mais moderno e eficiente. Muitos dos nossos cargos de confiança são ocupados por funcionários de carreira. Com isso, deixaremos um legado, neste novo modelo, que valoriza os servidores municipais e torna mais eficiente a administração. Foi esta eficiência somada a um setor de licitações mais moderno, que compra mais barato que permitiu que houvesse investimento. Criamos um Hospital Municipal e ganhamos autonomia, o que fez com que a Saúde, que era o grande problema de 2013, hoje funcione e já colecione índices inéditos. Nós diminuímos pela metade a mortalidade infantil e a gravidez na adolescência. Acabamos de ganhar um prêmio que mede a eficiência da nossa gestão em vigilância, com cobertura vacinal excelente. Na educação, saímos da lanterna da região metropolitana e conquistamos as melhores notas do Ideb, batendo a meta prevista para ser alcançada em 10 anos. Estamos entre as 50 melhores cidades do País, em Educação e a Primeira em Oportunidades de Ensino. Zeramos as vagas na Pré-Escola. E a Folha de S. Paulo nos aponta como a mais eficiente da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, sobretudo pela nossa nota em Educação e Saúde. Também estamos trabalhando na regularização fundiária e chegaremos a mais de mil cartas de regularização. Mas penso que o principal foi firmarmos uma sólida parceria com a sociedade civil. Isso é algo que nunca existiu na cidade. Criamos um ambiente de união, onde a sociedade civil, participa, sugere e faz junto.

8) Como avalia a relação entre Executivo e Legislativo no município?

De forma excelente. Desde o primeiro momento os vereadores foram parceiros da administração. Isso pode ser visto na economia de recursos que são devolvidos à Prefeitura e que se transformam em novas obras. Mas também pode ser visto no avanço da criação de novas leis. Temos um novo Código Tributário, uma legislação específica para as Parcerias Público Privadas. Fizemos uma Reforma Administrativa criando um novo desenho da administração pública. Indicamos mudanças no Plano Diretor, nas leis de uso e ocupação de solo e criamos Planos Municipais importantes, onde destaco o de Desenvolvimento do Turismo, da Cultura e da Mobilidade Urbana. São novas regras que modernizam e dão tranquilidade ao gestor e que contaram, sempre, com a aprovação e discussão com a sociedade civil e o legislativo. Hoje reina paz entre os poderes em nossa cidade, e, por isso, ao longo deste tempo todo conseguimos algo que alguns anos atrás parecia impossível, ou seja, equilibrar as contas públicas e colocar a cidade nos eixos. Como consequência, foi possível realizar muita coisa boa.

9) Já há uma definição do nome a disputar a eleição como situação? Como enxerga a disputa pelo cargo?

Meu sucessor ou sucessora, irá herdar uma cidade funcionando, uma prefeitura organizada, com as contas em dia e recursos em caixa para honrar os compromissos da cidade. Mas não podemos descuidar. Se não houver competência, sabedoria, profissionalismo, humildade e um prefeito ou uma prefeita que saiba o que faz, experiente em gestão e administração pública e com uma boa equipe trabalhando, um bom projeto de cidade, parceria com os vereadores e alinhamento político com o Governo do Estado, de quem dependemos muito, rapidamente podemos voltar àquela situação de 2013. Não existe dinheiro para fazer tudo. É preciso eleger prioridades. Governar não é uma brincadeira, fazer promessas ou favores pessoais. Não é um projeto pessoal, e sim um projeto de cidade. Campos do Jordão não pode retroceder. Temos que continuar avançando. Primeiro quero dizer que confio na democracia e na sabedoria da população jordanense. Sei que na hora certa, que não é agora pois estamos em fevereiro e a eleição é só em outubro, a sociedade vai decidir pelo melhor caminho, pelo melhor projeto de cidade, pelo melhor modelo de gestão e por aquele ou aquela que tiver mais preparo, tiver mais competência e o melhor grupo para ajudar a governar, porque ninguém faz nada sozinho.

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