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MP vai avaliar ação social em área ligada a vereador Maninho

Jornal revelou que, em junho, o Fundo Social fez uma ação de distribuição da Campanha do Agasalho em local indicado por associação que é comandada pela família do vereador

Julio [email protected] | @jornalovale

Após representações de dois moradores, o Ministério Público vai avaliar possíveis irregularidades no episódio em que o Fundo Social de Solidariedade, vinculado à Prefeitura de São José dos Campos, fez uma ação de distribuição de donativos da Campanha do Agasalho em um espaço ligado ao vereador Maninho Cem Por Cento (PTB).

O caso foi revelado pelo jornal em junho. Com base na reportagem, dois moradores protocolaram representações no MP. Uma delas foi feita pelo auxiliar de serviços gerais David Vieira. "Pelo que o jornal mostrou, ficou claro que houve irregularidade. Eu também pretendo denunciar na Comissão de Ética da Câmara". A outra representação foi feita por Paulo Sergio Ferreira, ex-funcionário comissionado da Urbam (Urbanizadora Municipal), que também acusou Maninho de cobrar 'pedágio' de indicados para cargos públicos.

No início de agosto, a promotora Ana Chami deu prazo de 20 dias para que a prefeitura, o Fundo Social de Solidariedade e o vereador se manifestem.

Após as explicações, caso a promotora entenda que há indícios de irregularidade, deverá instaurar um inquérito civil para apurar o episódio. Caso contrário, as representações serão arquivadas.

EVENTO.

A distribuição de donativos foi realizada no dia 5 de junho na sede da Obra Social Mão Amiga, entidade que presta assistência social no bairro Jardim Ismênia, zona leste da cidade, um reduto eleitoral do parlamentar.

A prefeitura nega influência do vereador e alega que o local foi indicado pela SAB (Sociedade Amigos de Bairro) do Jardim Ismênia. A SAB, no entanto, é comandada pela família de Maninho há 13 anos: ele próprio foi o presidente durante 11 anos, até 2017, quando o cargo passou para o filho dele, Silvio Camargo Junior, para um mandato de 10 anos.

Além disso, segundo moradores do bairro, a Obra Social Mão Amiga também seria comandada pela família de Maninho. A reportagem não conseguiu contato com representantes da entidade assistencial, mas obteve a nota fiscal, em nome do vereador, para compra de materiais de construção para a sede do grupo.

Nos dias que antecederam o evento, Maninho utilizou a tribuna da Câmara, as redes sociais e até um carro de som para divulgar a ação de distribuição de donativos da campanha do agasalho. Cartazes distribuídos pelo bairro e um banner colocado na fachada da entidade assistencial levavam um símbolo utilizado pelo vereador (uma águia, com a inscrição "100%"). Na ação foram distribuídos itens como cobertores, agasalhos, roupas novas e em bom estado, meias, gorros, roupas para bebês, sapatos e bolsas. Fotos obtidas pela reportagem mostram que a fila de interessados dobrava o quarteirão. Ao lado de assessores, Maninho esteve presente para acompanhar a atividade.

Como Maninho faz parte da base aliada do governo Felicio Ramuth (PSDB), o ocorrido levantou suspeitas de que a ação teria sido utilizada para promoção pessoal do vereador.

Governo Felicio e vereador negam qualquer irregularidade no episódio

O governo Felicio alega que "o Fundo Social é um órgão de filantropia" que busca "beneficiar unicamente à comunidade e aqueles que mais necessitam", e que "a distribuição de roupas é feita para qualquer entidade, casa de pessoas e empresas que solicitem". Maninho argumenta que não tem nenhuma ingerência nas atividades do Fundo Social de Solidariedade e que não participou da escolha do local da ação. O vereador também nega que tenha havido promoção pessoal. Ele afirma que esteve no local apenas para prestigiar o evento, sem qualquer manifestação de destaque (como uso de palanque ou microfone), e que o uso de seu símbolo em materiais de divulgação "possivelmente se trata da atividade de algum colaborador".