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Terceirizados participaram de condução de publicitário a DP em Taubaté

Reportagem descobriu que três dos quatro homens que foram à casa de André Guisard no dia 8 de fevereiro, armados e à paisana, são de uma empresa terceirizada contratada para fazer vigilância de prédios públicos

Julio [email protected] | @jornalovale

Funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviço de segurança patrimonial para a Prefeitura de Taubaté integravam o grupo que conduziu o publicitário André Guisard à delegacia, em fevereiro. O fato foi descoberto pela reportagem e confirmado pela Suporte Serviços de Segurança, que tem sede na capital e mantém contrato com a prefeitura desde o fim de 2014.

Até então, dos quatro homens que abordaram o publicitário em casa no dia 8 de fevereiro, apenas um havia sido identificado: Jarbas Nogueira, gestor da área de Segurança e Vigilância, que comandou a operação.

Em julho, após concluir a sindicância interna que apurou o caso, o governo Ortiz Junior (PSDB) afirmou que, dos quatro homens, somente um (Jarbas Nogueira) era servidor, mas se negou a informar a identidade dos demais. Agora, a reportagem descobriu que os outros três eram funcionários da Suporte. Segundo o contrato firmado em 2014 e que já rendeu quase R$ 24 milhões à empresa, a terceirizada deveria prestar apenas serviços de segurança e vigilância armada de prédios públicos, como a sede da prefeitura e das secretarias de Esportes, Educação e Serviços Públicos.

Naquele dia, no entanto, três dos funcionários da Suporte acompanharam o gestor da área de Segurança e Vigilância até a casa de Guisard, autor de um panfleto com críticas a vereadores citados na 'Farra das Viagens'. Segundo o publicitário, todos estavam armados, sem uniforme e em viaturas descaracterizadas. Na delegacia, seis dos parlamentares aguardavam Guisard. O caso foi registrado como "panfletagem irregular".

O Ministério Público investiga a atuação do gestor de Segurança e dos seis vereadores no episódio.

OUTRO LADO.

Questionada pela reportagem esse mês, a Suporte informou que "tem ciência do ocorrido" e também da investigação do MP, mas se negou a fornecer detalhes sobre o caso, sob a alegação de que aguardará para se explicar diretamente à Promotoria. De forma genérica, a empresa afirmou que o contrato "sempre foi executado com regularidade e nos termos previstos na legislação que trata das atividades de segurança privada".

Desde o dia 25 de julho o jornal questiona o governo Ortiz sobre o envolvimento da terceirizada no caso, mas até agora não obteve respostas. A prefeitura também rejeitou um pedido feito pela reportagem, com base na LAI (Lei de Acesso à Informação), para ter acesso ao relatório final da sindicância que apontou "ausência de irregularidades e responsabilidade funcional" no episódio..