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Em 10 anos, Embraer tem queda de 80% na venda de avies comerciais

Foco da transao comercial com a Boeing, a aviao comercial da Embraer responsvel por cerca de metade do faturamento da companhia; em 2008, foram entregues 162 avies comerciais, volume que caiu para 90 em 2018

Xandu [email protected] | @xandualves10

A Embraer inicia um novo capítulo em sua história, a partir desta quinta-feira, quando a parceria com a Boeing ganhará um nome próprio, em meio a um dos piores momentos depois da privatização, tendo entregado no ano passado 80% menos aviões comerciais do que há uma década.

Foco da fusão com a Boeing, a aviação comercial da Embraer, responsável por cerca de metade do faturamento da companhia, vive um cenário de queda na entrega de aeronaves desde 2008, quando registrou o recorde histórico de 162 aviões comerciais entregues.

No ano seguinte, foram vendidas 122 aeronaves, caindo para 100 em 2010 e 90, em 2013. Desde então, o melhor resultado da fabricante foi registrado em 2016, com 108 aviões entregues, para reduzir a 101 em 2017 e 90, no ano passado.

No ranking das entregas desde 2000, quando a empresa pôs no mercado 157 aeronaves, o ano de 2018 é o penúltimo na escala de maiores entregas, empatado com 2013 (90) e superando apenas 2003 (87).

Não à toa, a fabricante aposta na fusão com a Boeing como uma saída para as oscilações do mercado da aviação comercial.

O negócio é chamado pelas duas empresas como "parceria estratégica".

A expectativa da Embraer é que o acordo com a Boeing dê impulso à produção de jatos comerciais em São José, unidade matriz e linha de produção dos aviões comerciais.

"Essa importante parceria posicionará as duas empresas para oferecer uma proposta de valor mais robusta a nossos clientes e investidores, além criar mais oportunidades para nossos empregados", informou a empresa.

Companhias revelam nesta quinta o nome da parceria comercial

Embraer e Boeing anunciarão nesta quinta-feira o nome da parceria comercial entre as fabricantes. As empresas formarão uma joint venture que absorverá a aviação comercial da Embraer. A Boeing pagará US$ 4,2 bilhões e ficará com 80% do negócio, com os 20% restantes para a brasileira. Segundo a Boeing, o anúncio do nome será feito por meio de comunicado. "Estamos ansiosos. Vamos anunciar nesta semana, na quinta-feira, a nova parceria comercial", disse Marc Allen, presidente sênior da Boeing e presidente da Parceria com a Embraer.

Empresa nega queda na entrega de aviões e diz que está 'estável' nos últimos anos

A Embraer considera incorreta a afirmação de "grande queda" na venda de aeronaves. Segundo a empresa, as entregas "têm sido estáveis ao logo dos últimos anos, com média entre 90 a 100 aeronaves por ano". E completou: "É importante lembrar que a produção de jatos comerciais está atrelada diretamente à demanda de mercado".

Sobre a parceria com a Boeing, a fabricante confirmou que um dos objetivos é o "aumento do número de aeronaves exportadas pela Embraer". Questionada sobre a expectativa de crescimento após o início da parceria, a Embraer disse que "não comenta projeções de produção e entregas para os próximos anos". A empresa disse que mantém a previsão de entregar de 85 a 95 jatos comerciais em 2019.