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Novos ônibus em circulação em São José têm capacidade para 32 passageiros a menos

Enquanto os 30 veículos que foram retirados de circulação em maio tinham capacidade para 86 passageiros, os novos ônibus têm capacidade para 54; troca, que ocorreu no período mais letal da pandemia, intensificou críticas sobre superlotação no transporte

Julio Codazzi@juliocodazzi
03/07/2021 às 02:00.
Atualizado em 22/07/2021 às 12:29
Os 30 ônibus que entraram em circulação em São José em maio são menores do que os que foram substituídos (Adenir Britto/PMSJC)

Os 30 ônibus que entraram em circulação em São José em maio são menores do que os que foram substituídos (Adenir Britto/PMSJC)

Em pleno período mais mortal da pandemia da Covid-19 em São José dos Campos, a Prefeitura autorizou que cerca de 10% da frota em operação no transporte público fosse substituída por veículos com capacidade para um terço a menos de passageiros.

No dia 3 de maio, 30 veículos que tinham 13,20 metros de comprimento e capacidade para 86 passageiros (39 sentados e 47 em pé) foram tirados de circulação. Eles foram substituídos por 30 ônibus com 10,85 metros de comprimento e capacidade para 54 passageiros (26 sentados e 28 em pé).

Como a frota conta com 389 veículos e a Prefeitura diz operar com cerca de 80% da capacidade, isso significa que 311 ônibus estão em operação e 78 estão sem uso – ou seja, enquanto os veículos menores rodam, dezenas de outros com maior capacidade estão fora das ruas.

Na época da troca, a mudança gerou críticas de passageiros, que já reclamavam de superlotação mesmo nos veículos com maior capacidade. Os relatos apontavam preocupação ainda maior devido à pandemia e ao risco de transmissão do vírus em ambientes com aglomeração – abril e maio foram os meses mais mortais na cidade.

Em maio, o jornal chegou a questionar a Prefeitura, via Departamento de Comunicação, sobre a capacidade dos novos veículos, mas o dado não foi informado. No mesmo mês, a oposição chegou a apresentar um requerimento para cobrar explicações, mas o texto foi rejeitado em plenário, com votação decisiva da base aliada ao governo Felicio Ramuth (PSDB) – um dos apontamentos da oposição era de que os novos ônibus estavam fora dos padrões estabelecidos em contrato.

Os dados sobre tamanho e capacidade dos novos veículos só foram obtidos pela reportagem após questionamento via LAI (Lei de Acesso à Informação).

Prefeitura diz que veículos novos foram alocados em linhas com menor demanda

Em nota, a Secretaria de Mobilidade Urbana alegou que os novos veículos “possuem um maior espaço interno para circulação” e que “os dispensadores de álcool em gel foram reposicionados para facilitar o uso dos passageiros”. A pasta alegou ainda que esses veículos “foram alocados nas linhas de menor demanda de passageiros”, e que a capacidade tem atendido a demanda nessas linhas.

A secretaria afirmou também que os novos ônibus estão de acordo com o contrato e que a operação do sistema “é dinâmica e acompanhada diariamente para ajustes, justamente para adequar a oferta à demanda e manter o equilíbrio econômico e financeiro”. A pasta alegou ainda que o sistema tem operado para uma demanda de passageiros de 55%.

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