Nossa Região

Hospitais do Vale se aproximam do esgotamento de leitos ao mesmo tempo que março bate recorde de internações

Xandu Alves@xandualves10
03/04/2021 às 00:05.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:45
a group of surgeons operate on the patient's vital functions monitor close-up. (Evgeniy Kalinovskiy - stock.adobe.com)

a group of surgeons operate on the patient's vital functions monitor close-up. (Evgeniy Kalinovskiy - stock.adobe.com)

O Vale do Paraíba registrou na última quinta-feira (1) o recorde de hospitais quase lotados de pacientes graves com Covid-19. Nada menos do que 22 das 32 unidades de saúde que possuem leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para doentes com Covid-19 estavam com a ocupação de 80% ou mais, o que representa 68,7% do total de hospitais. Onze unidades tinham lotação completa e até além da capacidade, de 100% a 118%, o que revela o grau de agressividade do vírus neste ano.

De acordo com relatório do Codivap, a Associação de Municípios do Vale do Paraíba, a taxa média de ocupação de leitos de UTI da região beirou 90% na última semana, caindo para 85,4% na quinta. Mesmo assim, o indicador é considerado muito preocupante.

"Estamos oscilando em até 2% de acréscimo diário na ocupação de leitos e temos que observar se esse crescimento. Há uma pequena margem para suportar. As prefeituras já estão vendo o reforço da estrutura", disse Izaias Santana (PSDB), prefeito de Jacareí e presidente do Codivap.

Para ele, além da segunda onda mais grave da pandemia neste ano, o maior obstáculo ao combate da doença é a falta de sintonia política entre o governo federal e estados e municípios. Izaias também critica o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por não ter assumido o protagonismo no enfrentamento da doença no país.

"As pessoas têm colaborado. O primeiro grande obstáculo é a ausência de uniformidade de diretrizes governamentais. Esse enfrentamento político do presidente e do governador tem levado essa relação ao máximo da incapacidade de diálogo e uniformidade, contribuindo com posturas individuais. Não há entendimento".

Na última semana, o Hospital Frei Galvão, em Guaratinguetá, suspendeu o atendimento no pronto socorro respiratório para pacientes Covid-19 por falta de medicamentos. A medida foi suspensa após determinação da Justiça.

'Cerca de um terço dos internados não deve sair com vida da UTI', diz médico

Duas condições da pandemia do novo coronavírus em 2021 preocupam os médicos: o aumento do contágio e a velocidade em que contaminados, muitos deles mais jovens, ingressam na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave. Março bateu o recorde de novas hospitalizações por Covid-19 no Vale, com 4.105 pessoas. De acordo com o médico Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus de São Paulo, um terço dos internados não deve sair com vida do hospital. "Após 15 dias da fase vermelha, há sinais de uma redução com melhora progressiva da situação. Com relação aos óbitos, só iremos observar uma redução mais para a frente. Cerca de um terço dos internados não deve sair com vida da UTI. As próximas semanas serão muito tristes". Segundo o médico, seguir as restrições do Plano São Paulo ainda é o único caminho para conter o vírus.

Siga OVALE nas redes sociais
Copyright © - 2021 - OVALETodos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Desenvolvido por
Distribuido por