Nossa Região

Efeito colateral: além da crise sanitária, pandemia provoca crise econômica sem precedentes no país

Total de pessoas pobres chegou a 209 milhões no país em 2020, 22 milhões a mais do que em 2019; 78 milhões estavam em situação de extrema pobreza

17/03/2021 às 00:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 03:32
Arte (Divulgação)

Arte (Divulgação)

O vírus faz o bolso vazio.

Cristiane Sampaio perdeu o emprego de diarista em 2020, na cidade de Guaratinguetá. Não conseguiu mais nenhum trabalho. Perdeu a renda e precisou invadir um imóvel em área de risco para não ficar na rua.

"Já vivia com dificuldade, mas a pandemia acabou com a minha renda. Hoje não consigo um trabalho e vivo de doações e do Bolsa Família. O auxílio emergencial ajudou, mas acabou", contou.

A pandemia provocou a maior crise sanitária em 100 anos e também, por consequência, uma crise econômica sem precedentes. Milhares de famílias perderam o sustento.

A ONU estima que a pandemia jogou 32 milhões de pessoas na pobreza em 2020, nos países menos desenvolvidos.

No Brasil, milhares de pessoas estão à espera da retomada do auxílio emergencial, para não morrer de fome. "O meu maior medo é a fome. A gente só sobrevive com a ajuda de doações", disse Cristiane.

A falsa dicotomia 'vida ou economia' perpetuada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) causa danos ainda maiores às famílias brasileiras em vulnerabilidade social.

Com pouca eficiência no combate ao coronavírus e lentidão na vacinação, por não ter agido com antecedência e planejamento, o governo federal faz com que a crise econômica dure mais do que deveria, afetando cada vez mais famílias.

Relatório da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), divulgado no começo de março deste ano, mostra que a pandemia levou ao aumento dos índices de pobreza e de pobreza extrema na América Latina no ano passado. A taxa de pobreza extrema atingiu 12,5% da população e a de pobreza, 33,7%.

Isso significa que o total de pessoas pobres chegou a 209 milhões em 2020, 22 milhões a mais do que em 2019. Desse total, 78 milhões estavam em situação de extrema pobreza, 8 milhões a mais do que 2019.

Os números são os piores registrados nos últimos 12 e 20 anos, respectivamente, e também estão associados a uma piora dos índices de desigualdade na região e nas taxas de ocupação e participação no mercado de trabalho.

"A pandemia aprofundou os problemas estruturais da América Latina, com altos níveis de informalidade, desproteção social, baixo nível de produtividade e deixando descobertos nós críticos em saúde e educação", disse Alicia Bárcena, secretária executiva da Cepal, em entrevista à Agência Brasil.

15,6 mil famílias do Vale se inscrevem no Cadastro Único para tentar Bolsa Família

A crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus teve um efeito prático no Vale do Paraíba. Mais de 15,6 mil famílias se inscreveram no Cadastro Único do governo federal, no ano passado, para tentar receber a Bolsa Família. Trata-se de um aumento de 7,14% no total de famílias cadastradas em março de 2021 na comparação com o final de 2019, segundo dados do Ministério da Cidadania. Em média, o total de famílias que buscaram o benefício no ano passado representa mais de 62 mil pessoas que entraram na linha da pobreza no Vale --Bolsa Família atende famílias pobres que têm renda mensal de até R$ 178 por pessoa. No entanto, das 234,6 mil famílias no Cadastro Único da região, 90,6 mil foram atendidas pelo Bolsa Família em março, 38% da demanda.

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