Padres do Vale assinam carta em apoio a bispos que criticaram Bolsonaro

No documento, os religiosos dizem que o governo federal demonstra "omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres", além de "incapacidade para enfrentar crises"

@Da redação | @jornalovale

Padres do Vale do Paraíba assinam carta junto a mais de 1.000 religiosos em apoio aos 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos brasileiros que divulgaram um documento, no final de julho, com duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Chamado de ‘Carta ao Povo de Deus’, o texto dos bispos foi encaminhado ao papa Francisco, no Vaticano, e a dom João Braz de Avis, cardeal brasileiro que integra a Congregação para o Clero.

O documento é assinado por religiosos próximos do papa Francisco, como dom Claudio Hummes (arcebispo emérito de São Paulo), dom Angélico Sândalo Bernardino (bispo emérito de Blumenau), dom Erwin Krautler (bispo prelado emérito do Xingu) e dom Leonardo Ulrich Steiner arcebispo de Manaus e ex-secretário-geral da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil).

Na carta, os bispos dizem que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história e vive uma “tempestade perfeita”, combinando uma crise sem precedentes na saúde e um “avassalador colapso na economia”, com questionadas e polêmicas ações do presidente que resultam “numa profunda crise política e de governança”.

“Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço”, apontam os bispos.

O documento dos bispos brasileiros deveria ser divulgado inicialmente em 22 de julho, mas foi suspenso para ser analisado pelo Conselho Permanente da CNBB.

O texto será avaliado em reunião nesta semana. Na avaliação de religiosos, a CNBB tende a se manifestar em favor da autonomia dos bispos para darem declarações.

Grupos conservadores reagiram com críticas ao documento dos representantes do episcopado.

Em contrapartida, 1.058 padres, diáconos permanentes e irmãos religiosos divulgaram uma carta em apoio aos bispos. No texto, batizado de “Caminhamos na estrada de Jesus”, o grupo se intitula de “Padres da Caminhada” e “Padres contra o Fascismo”.

A iniciativa dos sacerdotes esquenta ainda mais o embate entre as chamadas alas ‘progressista’ e ‘conservadora’ na Igreja Católica.

“O documento é uma leitura lúcida e corajosa da realidade atual à luz da fé. É a confirmação da missão e do desafio permanente para a Igreja: tornar o Reino de Deus presente no mundo, anunciando esperança e denunciando tudo o que está destruindo a esperança de uma vida melhor para o povo”, apontam os padres.

Entre os sacerdotes que assinam o documento, estão religiosos do Vale, como o padre Antonio Aparecido Alves e o diácono Jovino Rezende, de São José dos Campos, os missionários redentoristas padre Eduardo Ribeiro e Helder José da Silva, de Aparecida, e frei Wilmar Villalba Ortiz, de Ubatuba.

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