'Contrair um vírus que pode matar abala a gente'

Em primeira pessoa, a auxiliar administrativo L. S., do Vale Histórico, conta a OVALE como ela e o marido estão enfrentando a Covid-19 e como a vida mudou após a doença

L. S. | @jornalovale

44 anos Auxiliar administrativa | @jornalovale

Comecei a ter febre, ter calafrios e fui piorando.

Tive dor forte na garganta, na cabeça e perdi o olfato. Muita febre e dor. Meu marido também ficou ruim, com febre, tosse e dores. Fomos ao posto de saúde cinco dias depois e o médico indicou o tratamento.

Ele nos tratou com todos os sintomas de Covid e ficamos 14 dias em isolamento. Ao final, estamos sem os sintomas e no teste rápido deu negativo. Mas pode ser falso negativo.

O médico não receitou a hidroxicloroquina e a gente também não queria tomar, porque é importante fazer um eletrocardiograma antes. Como não teria o exame, também não iríamos tomar o remédio.

O pior momento foi a falta de ar, que veio com força, dor no peito e febre alta. Foi uma madrugada que achei que fosse morrer. Tive muita diarreia e passei mal demais. Foi no quarto dia dos sintomas.

Tive todos os piores sintomas na madrugada, um horror. Achei que fosse morrer.

Chorei e o emocional fica muito abalado. Meu filho de 16 anos ficou longe de casa e isso mexe com a gente. Não saber como ficaremos, se virá a cura. Há muito medo.

Quero me cuidar muito melhor. Não tinha cuidado com a máscara, com a higiene das mãos e tudo isso virou importante. Todas as pessoas que olho agora são importantes.

Tenho conhecidos que estão internados em UTI e isso muda a gente. O pai de uma amiga morreu.

A parte da economia é o que afeta as pessoas, que preferem ficar sem saúde e não ficar sem dinheiro. Não pensam muito no próximo e enfrentam a pandemia como se fosse qualquer coisa. Quando passamos por ela, precisamos nos colocar no lugar do outro. Não perder a vida e não colocar a vida dos outros em risco.

Precisa querer melhorar. Não dá para minimizar. Não quero continuar do mesmo jeito de antes da Covid. A experiência é transformadora. Quando se está bem de saúde e tem uma gripezinha, sabe que vai ficar bem. Agora um vírus que pode matar e não ter controle dos sintomas é traumatizante. Fico pensando nas pessoas isoladas, sem poder ter contato. O emocional abala. Temos que sair melhores dessa situação..

 

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