Sem trégua, vírus avança na RMVale após flexibilização; região tem recorde de casos e mortes

Coronavírus avança ferozmente pelo Vale do Paraíba desde a flexibilização, com mais de 80% dos casos confirmados e 78,7% das mortes registradas no período de 1º de junho a 17 de julho

Xandu [email protected] | @jornalovale

O Vale do Paraíba tem um avanço recorde de casos confirmados de Covid-19 após a reabertura comercial aprovada pelo governo estadual, no âmbito do Plano São Paulo, com mais de 80% dos diagnósticos positivos registrados desde 1º de junho.

Na última sexta-feira (17), mesmo sem boletins epidemiológicos de todas as cidades da região, o número de infectados chegou a 11.798, sendo que 9.554 foram registrados após a flexibilização. Foi o dia com o maior número de casos e maior número de mortes no Vale desde o início da pandemia.

Até 31 de maio, a doença havia afetado 2.244 pessoas na região, mais de quatro vezes a menos do que o período seguinte.

No mesmo intervalo, a maior parte das mortes em decorrência da Covid-19 foi registrada após 1º de junho, data da reabertura. Foram 329 óbitos o aumento da flexibilização, 78,7% do total de 418 mortes registradas até 17 de julho.

Os números do coronavírus seguem batendo recordes em julho no Vale.

Nesta última semana, a região ultrapassou por duas vezes a barreira de 500 novos casos confirmados em apenas 24 horas. O número foi batido na segunda-feira, com 553 novos diagnósticos positivos, embora tenha acumulado casos não registrados no final de semana.

Já nesta sexta-feira a região registrou 557 novos casos de novo coronavírus, mesmo sem todas as cidades incluídas na conta, por falta de divulgação do boletim epidemiológico, registrando, assim, o recorde de novos casos por um período de 24 horas. Foi, também, o dia com o maior número de mortes confirmadas: 19 somente nesta sexta.

"Seguimos com tendência de alta no interior do estado, com aceleração. Verificamos a continuidade dessa aceleração mais contundente no interior do estado. O governo segue ampliando a capacidade de atendimento em saúde, para não deixar ninguém sem atendimento", disse Marco Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Regional.

Na sexta-feira, o governo do estado de São Paulo anunciou o recuo da região de Piracicaba da fase laranja para a vermelha do Plano São Paulo, que permite apenas serviços essenciais abertos.

O 'rebaixamento' ocorreu por aumento nas internações por Covid-19, que impactou na taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que chegou a 84,6%.

Para especialistas, o Vale não está livre disso.

"Acompanhamos todas as regiões com as outras áreas e tínhamos anunciado que a região de Piracicaba estava numa situação delicada, e foi reclassificada. Não é só a reclassificação, mas as ações da saúde para apoiar a região. Não estamos relaxando e temos que continuar para evitar a transmissão do vírus em todas as regiões. A população tem que conscientizar que esse é um processo lento e gradual", afirmou o médico Paulo Menezes, coordenador do Comitê de Contingência do Coronavírus de Saúde.

CIDADES.

Não há sinal de desaceleração da doença no Vale, que acumula 2.180 casos nos últimos sete dias, com 75 mortes. São os dois mais altos números da região para o intervalo de uma semana desde o começo da pandemia, em março.

Até então, o recorde havia sido batido na sexta (10) da semana passada, com 1.799 novos casos e 65 mortes.

Com 40% dos casos e 34% das mortes da região, São José dos Campos vem oscilando na quantidade de diagnósticos positivos na última semana. Começou com 247 novos casos na segunda e caiu para 111, 22 e 13, mas voltou a crescer nesta sexta, com 284, o maior número desde o início da epidemia. No total, a cidade tem 4.741 casos confirmados e 143 mortes.

Internações e mortes por Covid-19 ocorrem até 20 dias depois da contaminação

O coronavírus exige que as prefeituras tenham um controle rigoroso dos casos para projetar a demanda no sistema hospitalar. As internações ocorrem entre 10 a 14 dias do contágio e as mortes, entre 20 a 23 dias. "Quando tenho uma semana com muitos casos novos, vou esperar que, dali a 20 a 23 dias, tenha um aumento de óbitos", disse o médico Danilo Stanzani, secretário de Saúde de São José.

 

 

 

 

 

 

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