'População precisa entender que continuamos numa situação crítica', diz secretário de Saúde de São José

Danilo Stanzani vê queda em notificações, mas não fala em estabilização; diz que a situação ainda é crítica e lembra que passar de fase no Plano São Paulo não é sinal para deixar os cuidados

Xandu [email protected] | @jornalovale

Cumprindo isolamento em casa, após contato com parente que testou positivo para a Covid-19, o médico Danilo Stanzani, secretário de Saúde de São José dos Campos, admite que a situação ainda é crítica e que merece todos os cuidados. "A população precisa entender que continuamos numa pandemia, numa situação crítica de saúde", disse ele ao Gabinete de Crise de OVALE. Confira:

Como está São José?

Estamos num crescimento lento de número de casos comparado a outros países e cidades. Conseguimos achatar a curva. A maioria da população seguiu as orientações de ficar em casa e usar máscara, e mantém por volta de 47% a 50% de isolamento. Mostra compromisso com esse enfrentamento. Chegamos a mais de 120 dias com o vírus circulando e temos crescimento lento.

Vai crescer ou estabilizar?

O Ipplan (Instituto de Pesquisa e Planejamento) desenvolveu para nós um mecanismo para consolidar dados dos quatro sistemas de informação da epidemia no país, o que é outra loucura. Difícil fazer controle adequado da epidemia tendo quatro sistemas de informação. O sistema nos traz dados mais rapidamente.

O que mostram?

Estamos na semana 29 da epidemia e, na 26, tivemos o maior número de notificações, que é quando o paciente procura o serviço e o médico diagnostica síndrome gripal ou suspeita de Covid e faz um teste. A semana 26 foi a mais elevada em notificações. Caiu nas semanas seguintes e na 29 está muito baixa, mas deve ser por problema no sistema SUS.

Estaria entrando num platô?

Por esse indicador, estaríamos reduzindo as notificações, mas esperaria mais para dizer que chegamos num platô. O que fizemos foi desacelerar os casos positivos.

Tivemos crescimento mais acelerado nas semanas 24 e 25 e demos uma estabilidade. A gente vem fazendo muito teste e favorece encontrar pacientes positivos, mas deu uma desacelerada. Dizer onde estamos na curva é complicado, porque há surpresas a cada momento na pandemia, como ocorreu com os EUA. Mas temos que ir com moderação e tranquilidade para fazer as coisas certas.

Provavelmente, vai demorar muito para termos a vida que tínhamos antes.

Até a chegada da vacina?

Vai depender da eficácia da vacina e de produção em escala industrial. Acho que no começo de 2021 já devemos ter boas notícias, mas algumas coisas teremos que repensar.

Quais?

A aglomeração. Os grandes centros urbanos sofreram mais do que cidades menores. Temos que repensar para não adensar tanto a cidade e ter mais áreas verdes, parques e praças. Nossa sociedade diminui o pé direito das casas, o número de janelas e colocou ar condicionado. Precisamos repensar a arquitetura sanitária, além do saneamento básico. A vacina também é relevante e talvez seja o maior ensinamento para a população voltar a acreditar nas vacinas.

São José pode reabrir mais?

A cidade sofre por ser um polo de saúde regional. Os hospitais privados acabam trazendo pacientes para cá e as unidades do Estado também sofrem com isso, o que sobrecarrega a estrutura. Quanto à passagem para a fase amarela, acho que precisamos estabelecer leitos, critérios e fiscalização, mas em grande parte depende da população, que precisa entender que continuamos numa pandemia, numa situação crítica de saúde e avançar para a fase amarela seria uma permissão para algumas pessoas recuperarem o sustento. Não é carta de alforria para voltar a ter a vida como antes. Continuamos orientando o isolamento, o distanciamento, uso de máscara, mudança de postura, higienização. Isso continua sendo a regra.n

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