Depois da cloroquina, Guará também receita vermífugo sem eficácia científica contra a Covid-19

Em vídeo, prefeito Soliva informou que município recebeu doações e deve usar Ivermectina para tratamento de pacientes com coronavírus; secretária de Saúde diz que medicamento "não é padronizado" e Anvisa já fez alerta sobre o uso

Thaís [email protected]_thaisleite | @jornalovale

Medicamento sem evidência científica para o combate da Covid-19, a Ivermectina deve ser usada para o tratamento de pacientes que estejam em fase inicial do enfrentamento ao vírus em Guaratinguetá.

Segundo o governo Marcus Soliva (PSB), 3.000 comprimidos doados à prefeitura devem ser distribuídos para uso com prescrição médica e sob concordância de pacientes.

"Esse não é um medicamento que era padronizado nem pelo Ministério, nem pelo Estado, nem por ninguém. Por isso não tínhamos no nosso estoque", afirmou a secretária de saúde, Maristela Siqueira, em vídeo. Na mesma gravação, o prefeito diz que quem ansiar saber sobre pode buscar on-line.

"Quem quiser saber mais informações sobre a Ivermectina pode entrar na rede social, clica aí pela internet, pelo Google ali, clica ali Ivermectina".

Em maio, ele já havia anunciado o uso de outro medicamento sem eficácia comprovada contra o vírus: a hidroxicloroquina. Sobre a nova medida, a administração informou que não existem dados científicos, mas "evidências clínicas sobre o uso da Ivermectina".

ALERTA.

Em nota publicada no dia 10, a Anvisa alertou para a gravidade do uso do vermífugo sem estudos conclusivos. Em trecho, dizia que "não há recomendação, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação".

Em seguida, a agência substituiu a publicação e baixou o tom, mas ainda assim afirmou que as únicas indicações são as constantes na bula do medicamento -- que não inclui o tratamento contra o vírus.

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