'Temos a falsa impressão de que não vai acontecer com a gente'

Em primeira pessoa, a operadora de caixa Elisa Ferreira, 37 anos, narra o drama que a família enfrenta com a morte por Covid-19 dos avós maternos, em uma semana, e um tio que testou positivo: 'Estamos muito assustados'

Elisa FerreiraOperadora de caixa de São José |

Meus avós faleceram com Covid-19.

O meu avô estava com uma pressão muito baixa e, no começo de abril, o levamos à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), mas não conseguiram estabilizar a pressão e resolveram fazer um procedimento. O pulmão esquerdo foi perfurado.

Ele precisou ser encaminhado para o Hospital Municipal e foi para a ala da Covid-19. Foi e voltou do hospital três vezes, e acho que foi aí que contraiu o coronavírus.

Ele morreu no dia 14 de junho, e nesse mesmo dia tivemos que socorrer a minha avó, que começou a passar mal com uma fraqueza intensa, diarreia e vômito. Estávamos muito abalados nesse dia.

O exame indicava que estava com o pulmão comprometido e que provavelmente estava com o coronavírus. Conseguimos a transferência para o Hospital Municipal e foi para a ala da Covid-19, e os médicos disseram que o estado era muito grave. Na sexta, às 5 da manhã, ela teve um ataque cardíaco e morreu. Ficamos sabendo da confirmação para Covid-19 pela imprensa.

Não bastasse todo esse desgaste, essa falta de respeito com a família, meus avós têm 10 filhos vivos, com quatro com mais de 60 anos. Meu tio de 53 anos testou positivo no começo de junho. Outros filhos passaram mal, tiveram febre depois da morte do meu avô. Quem não apresentou nenhum sintoma, não fez exame, e nem foi autorizado a fazer.

A doença assusta muito. Minha avó morreu em poucos dias, é uma coisa impressionante. É muito assustador e fiquei muito preocupada com o que podia causar na família toda, com pessoas do grupo de risco. Temos a falsa impressão de que não vai acontecer com a família da gente, mas acontece. Ainda estamos na incerteza e quem teve contato com ela pode ter a doença.

Na Vigilância Epidemiológica disseram que as pessoas assintomáticas não têm necessidade de fazer o exame, mesmo diante de duas mortes confirmadas por Covid-19 na família e mais um tio que foi contaminado. Estamos assustados..

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