Trânsito no Arco da Inovação ficará saturado já a partir de 2025, aponta perícia

Laudo pericial feito a pedido da Justiça apontou que ponte estaiada perderá 'qualidade de suas funções' daqui a quatro anos e meio, e que transporte público será prejudicado; estudo apontou ainda que uma simples otimização semafórica teria eficácia semelhante à do Arco

Julio [email protected] | @jornalovale

Liberado para o tráfego no fim de abril desse ano, o Arco da Inovação, uma das principais vitrines do governo Felicio Ramuth (PSDB), "perderá a qualidade de suas funções já a partir de 2025" - ou seja, em quatro anos e meio já não será capaz de desafogar o trânsito no local.

A conclusão é do Departamento da Área de Engenharia Ambiental e Urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC), que a pedido da Justiça realizou uma perícia para avaliar a capacidade funcional da obra.

A perícia foi feita no processo em que o Ministério Público e a Defensoria Pública contestam, justamente, a eficácia das duas pontes estaiadas, que foram construídas em formato de 'X' para ligar a Avenida Jorge Zarur às avenidas São João e Cassiano Ricardo, na zona oeste de São José dos Campos.

A perícia comparou quatro cenários: um sem qualquer intervenção; um apenas com otimização da programação semafórica; um com adequações semafóricas e outras obras viárias, excluídas as pontes; e outro com as pontes estaiadas.

A perícia concluiu que o Arco da Inovação, que custou R$ 60,972 milhões (25,6% mais do que o previsto) e foi concluído em 22 meses (com oito meses de atraso), tem capacidade de absorver apenas 12% a mais de veículos do que o cenário que contava apenas com otimização semafórica.

Além disso, a perícia concluiu que o Arco, além de não propiciar ganhos ao transporte público, ainda deve aumentar o tempo das viagens de ônibus em 23% até 2028.

ANÁLISE.

À Justiça, o defensor público Jairo Salvador apontou que o estudo comprova que a obra foi direcionada ao transporte individual, "contrariando os princípios da Política Nacional e Municipal de Mobilidade Urbana".

Para o promotor Gustavo Médici, o laudo pericial comprova que, por não realizar os estudos necessários, o governo Felicio optou por um projeto "ineficiente" para o local. "Acabou-se por produzir obra de arte extremamente dispendiosa, mas com reduzido e efêmero impacto positivo sobre o tráfego local", disse Médici, que destacou que "pequenos ajustes" - como alterações nos semáforos e mudanças viárias - "teriam o condão de tornar completamente desnecessária a obra".

Protocolada em dezembro de 2018, a ação visava impedir a construção do Arco. Como a obra já foi concluída, o MP pede agora que o governo Felicio seja obrigado a realizar um projeto básico e executivo para prever um conjunto de intervenções para tentar evitar a saturação de tráfego em 2025 e o prejuízo ao fluxo do transporte coletivo.

Questionado pela reportagem, o governo Felicio afirmou que "está analisando o laudo e se manifestará no próprio processo judicial".

No último dia 24, o juiz Silvio José Pinheiro dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública, deu prazo de 10 dias para a Prefeitura se manifestar. Citando "a complexidade e extensão" do laudo pericial, o município pediu para o prazo ser ampliado para 30 dias.

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