Região realiza 21 mil testes, mas 69% deles em apenas duas cidades

Testagem em massa da população é considerada uma das principais ferramentas para controlar a Covid-19; na região, São Sebastião e São José fizeram mais de dois terços do total de testes

Xandu [email protected] | @jornalovale

Considerado a melhor ferramenta para avaliar o avanço da Covid-19, os testes de diagnóstico e detecção de pessoas infectadas ou não por coronavírus ainda são poucos feitos no Vale do Paraíba.

A maior parte das cidades só testa os pacientes graves, que procuram o sistema de saúde, o que dá uma visão distorcida da disseminação da doença e impede medidas corretas de enfrentamento.

Países e cidades que melhor enfrentaram a doença no mundo apostaram em testes em massa na população e isolamento social rigoroso.

De acordo com levantamento feito pelo Codivap, a Associação de Municípios do Vale do Paraíba, a região alcançou o total de 21.174 testes feitos até 11 de junho.

Os números mostram que 30 cidades fizeram testes em pacientes com Covid-19 ou realizando uma testagem mais ampla, para identificar, por amostragem, o percentual da população que poderia estar infectado no município.

No entanto, os resultados também expõem a divisão desequilibrada do número de testes feitos na região.

Duas cidades do Vale fizeram 69% do total de testes até 11 de junho, de acordo com os dados do Codivap.

São Sebastião é a cidade que mais testou na região, com 8.411 testes feitos, 40% do total do Vale.

Não à toa, a cidade 424 casos confirmados de Covid-19, 12% da totalidade da região.

A segunda cidade com mais testes é São José dos Campos, com 6.198 (29%) e 1.397 casos confirmados da doença (39% do Vale).

Juntas, São Sebastião e São José dos Campos fizeram 14,6 mil testes.

Para se ter ideia do descompasso com outras cidades, Florianópolis (SC), cidade com uma população menor do que a de São José dos Campos, fez quase 40 mil testes na população e apostou num isolamento radical, suspendendo até o transporte público.

O resultado se vê nos números. Até 11 de junho, Florianópolis registrava 972 casos confirmados e nove mortes por coronavírus.

Para retomar o sistema de transporte público em 17 de junho, após 90 dias de suspensão, a prefeitura vai testar todos os funcionários do serviço. "O procedimento é importante para estabelecer um ponto de partida controlado para o retorno do sistema", disse o secretário de Mobilidade e Planejamento Urbano de Florianópolis, Michel Mittmann.

Considerado um dos melhores exemplos de enfrentamento ao coronavírus, a Coreia do Sul chegou a realizar, durante um mês, 10 mil testes por dia.

SÃO PAULO.

No estado de São Paulo, o governo quer aumentar de 8.000 testes por dia para 30 mil exames com a inclusão de laboratórios privados e empresas.

Nesta semana, uma resolução da Secretaria da Saúde reforçou a obrigatoriedade de notificação de testes positivos e negativos (PCR sorológico) por parte de prefeituras e laboratórios, além de estabelecer penalidades a empresas que descumprirem a medida.

"Ao incluir testes da iniciativa privada ao monitoramento público, isso dará uma visão mais abrangente da pandemia e como combatê-la", disse o governador João Doria (PSDB). "Massificar a testagem é uma maneira de controlar a disseminação do vírus".

Depois da reabertura, cresce número de empresas na busca por testes em massa

Após a reabertura, a procura por testes no setor empresarial cresceu exponencialmente no Vale. Protocolos determinam que as empresas testem os funcionários e mantenham controle rígido da doença. De acordo com o Grupo Sabin, um dos principais laboratórios privados na região, a média de empresas buscando esse tipo de serviço apenas em São José foi de 20 por dia, nesta semana. "Essa retomada tem que ser feita com cautela. Várias empresas têm nos procurado para fazer os exames para a retomada. Isso é fundamental para ter maior segurança e diminuir a transmissibilidade do vírus", disse Wilson Cunha Junior, Gestor Médico do Grupo Sabin, professor e médico endocrinologista.

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