Mesmo sem ter estudo científico, Soliva atesta o uso da cloroquina em Guará

Prefeito admite não ter análise científica sobre a eficácia da cloroquina, mas diz se sentir seguro com as análises clínicas e depoimentos na internet: 'Quarentena é para achatar a curva. Cura é com medicamento'; confira mais uma entrevista do Gabinete de Crise

Xandu [email protected] | @jornalovale

Entusiasta do uso da hidroxocloroquina na fase inicial da Covid-19, o prefeito de Guaratinguetá, Marcus Soliva (PSB), admite não haver estudos científicos que embasem o medicamento, mas atesta a eficácia do remédio em análises clínicas e declarações de médicos na mídia e na internet.

"Sim, estou seguro da eficácia da hidroxocloroquina, com indicação do médico e autorização do paciente."

Em novo episódio da série 'Gabinete de Crise', Soliva conta como enfrenta a epidemia em Guará, critica a OMS (Organização Mundial da Saúde) e defende o uso da cloroquina.

Os casos de Covid estão subindo. A reabertura não pode piorar esse quadro?

A partir do momento da reabertura do comércio, a tendência é aumentar as pessoas nas ruas. Estamos medindo desde o começo de março até agora. Tivemos aumento significativo no mês de maio, mas aumento do número de casos não tem como evitar. Não vamos ter a curva em declínio enquanto não tivermos um número X de pessoas contaminadas. Se segurar, ficaremos até dezembro até essa redução.

E o risco de colapso?

Essa flexibilização vem no momento em que temos crescimento, mas existe um trabalho feito por analistas para acompanhar. O que não dá para evitar é a contaminação por manada, quando solta o povo para rua e vai contaminando. Tem que ter o controle da saúde, os leitos de UTI, leitos de enfermaria e como está o número de óbitos. Em 40 dias, os casos aumentaram 10 vezes, mas o número de internações em leitos de UTI não teve aumento, permaneceu o mesmo. O máximo que tivemos, em abril, foram seis leitos de UTI ocupados, atualmente são dois leitos. Isso é positivo. A contaminação não está transformando em colapso do sistema de saúde. Temos 18 leitos de UTI Covid, com dois ocupados. E 30 leitos de enfermaria, além de 30 no hospital de campanha.

Hospital está pronto?

Fizemos pedido ao Estado de 10 respiradores e estamos aguardando o envio. Estamos terminando um hospital de campanha e lá funcionará depois uma UPA nível 3. Nesse hospital teremos 30 leitos, dos quais queremos 10 leitos no estilo de UTI, com respirador.

O senhor defende o uso da cloroquina na fase inicial da doença. Está seguro disso? Tem estudos científicos que embasem essa decisão?

A análise científica não terá resultado antes de 2021, há muita burocracia. Não vamos ver essa análise científica. Há a análise clínica que é feita em pacientes que receberam o medicamento e se recuperaram. A gente vê isso em reportagens, na internet, em depoimentos de vários médicos ao redor do mundo.

Isso é suficiente?

Todos apontaram motivos para aplicar a cloroquina e os riscos dela são até menores do que outros medicamentos que temos em casa, como dorflex, novalgina e aspirina. Todos eles têm efeitos colaterais, como também a cloroquina. Estudo científico não tem nenhum. A OMS começou a atacar de um mês para cá a cloroquina, até então reconhecia a cloroquina como o único medicamento eficaz contra a Covid. Repentinamente, começou a ter ataque à cloroquina. Não temos nenhum medicamento com análise clínica tão grande como a cloroquina.

Isso lhe dá segurança?

Sim, estou seguro, com indicação do médico e autorização do paciente. Há médicos contrários por causa da polêmica. Gera insegurança na classe médica na aplicação do medicamento. Deixamos a critério do médico, sem pressão nenhuma, nem a favor ou contra, e dou meu posicionamento como prefeito daquilo que acho que é único medicamento com eficácia no tratamento de Covid e sem todos os efeitos colaterais que vêm se propagando por aí.

Como ela é dada?

Temos hidroxicloroquina, azitromicina e zinco disponíveis na Secretaria de Saúde e temos leitos de enfermaria separados para tratamento de Covid. Compete aos médicos aplicarem com o consentimento dos pacientes, e seguindo os protocolos.

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