RMVale está na rota do pico dos casos de Covid-19 e preocupa governo estadual

Xandu [email protected] | @jornalovale

Região líder de isolamento no estado e principal foco de questionamento da quarentena, o Vale do Paraíba tem registrado aumento de casos em ritmo maior do que na Grande São Paulo e está na rota do pico da pandemia do coronavírus.

Feito a OVALE, o alerta é do Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo, grupo que reúne epidemiologistas, médicos e especialistas em saúde pública que assessoram o governo estadual.

O Vale está no 'corredor do vírus' e tornou-se foco de preocupação para um crescimento exponencial da doença pela região.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, a Covid-19 cresce no interior em ritmo até quatro vezes superior ao aumento na Grande São Paulo, epicentro da doença no país.

"Se observarmos a disseminação da doença, ela está indo para o Vale do Paraíba e com grande força. O Vale também é interior, não devemos esquecer. É importante observar isso", disse o médico Geraldo Reple, membro do Comitê de Contingência e presidente do Conselho de Secretários Municipais do estado de São Paulo.

Secretário de saúde de São Bernardo do Campo, Reple conhece bem o Vale e disse que a proximidade com as duas principais capitais e epicentros da doença no país --São Paulo e Rio de Janeiro-- aumenta o risco de disseminação da doença pela região.

"A macrorregião metropolitana pega o Vale e vai até a divisa com o Rio de Janeiro. Se fizermos um gráfico de calor, o Vale é um grande local por onde a doença está caminhando", afirmou.

Ele rechaçou qualquer tentativa de flexibilizar a quarentena no Vale: "Neste momento, se precipitarmos alguma coisa, estaríamos piorando muito essa situação".

Em maio, enquanto o número de casos de Covid-19 cresceu 108% na Grande São Paulo, o Vale registrou alta de 178%, segundo o governo estadual.

"Há a preocupação com o Vale que fica no meio de dois epicentros, São Paulo e Rio. E existe uma preocupação, sim, por conta dos fluxos no Vale", disse o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

DIÁLOGO.

Ele defende um diálogo permanente com as prefeituras da região para construir o plano regional que norteará a reabertura das atividades econômicas, condicionada à diminuição consistente do número de casos por 14 dias, indicador ainda distante da região.

"O convencimento e a troca de ideias e com os dados entendemos que vamos construir, em conjunto com os prefeitos do Vale do Paraíba, a sequência desse processo", disse Vinholi.

Foco de resistência à quarentena, considerada o melhor caminho para conter a Covid-19, a região também foi alvo do governador João Doria (PSDB): "Não é hora de flexibilização e precipitações", disse o governador a OVALE.

'Não estamos alertando nenhuma abertura a partir de junho', diz Doria

O crescimento de casos de Covid-19 de forma acelerada em regiões do interior, como Baixada Santista, Campinas e Vale do Paraíba, todas ao redor da Grande São Paulo, preocupa o governo estadual a ponto de o governador afirmar que a reabertura das atividades econômicas a partir de junho ainda não está definida. Na prática, a quarentena pode ser prorrogada mais uma vez em São Paulo.

"Não estamos alertando nenhuma abertura a partir de junho. O olhar regional e local será levado em conta", disse João Doria. "Temos grande preocupação com a incidência de casos, com acréscimo para o interior. Cada região tem que conseguir achatar a sua curva com isolamento", disse o secretário da Saúde, José Henrique Germann.

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