Prefeitura e instituto defendem credibilidade de mapeamento da Covid-19 em São José

Embora pesquisas feitas com intervalo de quatro semanas tenham apontado estagnação no número de pessoas que tiveram contato com o vírus, casos confirmados aumentaram 200% e mortes cresceram 500% no período

O governo Felicio Ramuth (PSDB) e o instituto Indsat defenderam nessa quarta-feira (20) a credibilidade do resultado das duas pesquisas de campo realizadas para mapear o grau de contaminação da população de São José dos Campos pela Covid-19.

Embora realizados com quatro semanas de intervalo, os dois levantamentos apontaram o mesmo resultado: que 3,11% da população teve contato com o novo coronavírus.

Para a gestão tucana e para o instituto de pesquisa, o resultado possibilita dizer que, nas duas datas, a cidade tinha cerca de 22 mil pessoas contaminadas.

Enquanto a pesquisa retrata uma estagnação, os dados oficiais da doença no município mostram um crescimento veloz. Nos dias 16 e 17 de abril, quando o primeiro levantamento foi feito, São José tinha 136 casos e 3 mortes (dados de 17 de abril). Nos dias 13 e 14 de maio já eram 409 casos e 18 mortes (dados de 14 de maio). Ou seja, em quatro semanas, houve crescimento de 200% no número de casos e de 500% nas mortes. Nessa quarta-feira (20) o balanço já apontava 553 casos e 29 mortes.

PESQUISA.

Nas duas rodadas foram aplicados 450 testes rápidos em moradores. A margem de erro é de 4,8%, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Nas duas pesquisas, 14 pessoas testaram positivo.

Cada pesquisa custou R$ 12 mil ao município. Já cada um dos 450 testes rápidos aplicados custou R$ 135. Ou seja, os dois levantamentos saíram por cerca de R$ 144 mil.

Questionado sobre a credibilidade do resultado dos levantamentos, o governo Felicio disse acreditar que “o crescimento dos novos casos ficou dentro da margem de erro da pesquisa, demonstrando que o isolamento social está surtindo efeito na cidade”.

A gestão tucana alegou ainda que o aumento de 200% no número de casos entre uma pesquisa e outra “está baseado em testes realizados e apontam um número muito menor do que a pesquisa”. Argumentou ainda que “o Ministério da Saúde já alterou por duas vezes os protocolos de testagem, por isso, desde a semana passada ampliamos os testes, o que resultará em um número ainda maior de casos confirmados”.

A prefeitura informou também que pretende “fazer novos testes para monitorar a pandemia e definir mais ações do município com planejamento”.

Paulo Gomes, um dos diretores do instituto, reconheceu a surpresa com a “estagnação” no número de casos, mas defendeu a credibilidade do resultado das pesquisas. “A gente vendo no mundo todo a capacidade do vírus se propagar, a gente imaginava que teria muitos mais casos [em São José entre uma pesquisa e outra]”, afirmou. “O que me anima muito é que não houve uma evolução, e sim houve uma estagnação. E, se o resultado é esse, por que não flexibilizar [as regras de isolamento social], se o povo está se cuidando?”, indagou.

“Hoje, como pesquisador, considero que existem em São José dos Campos 22 mil pessoas que adquiriram anticorpos para a doença. Aumentou o número de casos [entre as duas datas, no balanço oficial] porque a testagem está sendo feita. Isso pode aumentar até chegar a esses 22 mil”, finalizou.

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