Na luta pela vida, Samu vai para 'guerra' contra o coronavírus

Equipes de socorristas intensificaram as ações para enfrentamento da doença, atendendo e transportando pacientes suspeitos, confirmados e até atestando morte em casa por Covid

Xandu [email protected] | @jornalovale

Acostumados a lutar diariamente pela vida, as equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no Vale do Paraíba tornaram-se fundamentais na batalha contra a Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Os socorristas intensificaram as ações a partir de março para dar suporte aos sistemas de saúde na pandemia.

As primeiras medidas foram de planejamento, treinamento e mudanças em viaturas e protocolos de atendimento. O objetivo é enfrentar o coronavírus com segurança e preservando a saúde dos socorristas.

Para isso, foram incorporados mais equipamentos de proteção individual além dos habituais e feitas modificações físicas nas ambulâncias, para evitar contágio na equipe.

Segundo a coordenação, foram registrados 19 afastamentos na equipe nos últimos dois meses, nenhum deles confirmado para Covid-19. Foram quadros de gripe que, afastados rapidamente, evitam o perigo do coronavírus.

"Primeira coisa foi a informação e a preocupação com os equipamentos de segurança, com reforço da proteção. Traduzimos documento da Organização Mundial de Saúde [OMS] específico para atendimento hospitalar. As equipes do Samu têm que saber o equipamento adequado para cada situação, para não exagerar e nem faltar", explicou a OVALE o médico Fernando Fonseca, diretor da equipe médica do Samu Regional na RMVale.

São quase 300 funcionários, sendo 250 profissionais da área da saúde, que atuam em sete cidades, entre elas São José dos Campos, Jacareí e Caçapava. Eles operam 19 ambulâncias, sendo que quatro deles foram adaptadas para atender especificamente a casos de Covid-19.

Os veículos passam por um longo processo de limpeza e higienização a cada procedimento, o que demanda tempo.

"Prestamos apoio no atendimento primário, quando a pessoa liga 192 e pede ajuda, e fazemos a instrução de como a pessoa deve agir, às vezes sem uso da viatura, mas de buscar atendimento em UPA ou UBS", disse Fonseca.

"Também apoiamos o sistema de saúde, porque existe dificuldade para unidades de saúde em transferir pacientes, e temos feito isso."

Segundo ele, diminuiu o número de ocorrências, mas aumentou o tempo entre um atendimento e outro em razão dos procedimentos obrigatórios nas viaturas e equipe, para evitar contágio. "A contaminação é muito fácil e tem que redobrar a atenção", disse.

O Samu tem atendido pacientes suspeitos ou confirmados em casa e que precisam ir a hospitais, quando não podem fazê-lo pelos próprios meios. Também atua na transferência entre unidades de saúde e tem até atestado óbito em casa (leia mais nesta página).

"Quando tem suspeita, mandamos a viatura Covid, mais reforçada. O atendimento é com macacão impermeável. Se for possível, o paciente usa máscara na ambulância. Transportamos os mais graves. E temos trabalhado muito com o psicológico da equipe".

Pandemia faz equipe atestar morte em casa e preparar corpo para a retirada da Urbam

Em São José, o Samu está emitindo atestado de óbito para causas naturais e suspeitos ou confirmados de Covid-19 quando a morte se dá em casa. Segundo Fernando Fonseca, diretor da equipe médica do Samu Regional, o atendimento é temporário. "Em São José, em média, são 50 mortes em casa por mês, e o Samu apenas atestava. Agora é situação especial para evitar a contaminação na cadeia de atendimento, evitar que corpo transite".

O Samu também limpa e embala o corpo, que é retirado pela Urbam. "Se houver suspeita de Covid, a equipe colhe o exame, para não ter dúvida depois. Isso foi treinado e estamos tomando cuidado para não ficar a história de não notificar, de esconder. Pode ter atraso no resultado, mas vai ter certeza se morreu de Covid ou não".

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