Vinholi: 'isolamento salvou vidas e ciência vai decidir flexibilização'

Secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo defende isolamento social no estado e diz que governo João Doria (PSDB) irá usar a ciência como base para decidir a flexibilização ou não das medidas de quarentena

Caíque [email protected] | @jornalovale

O Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, acredita que a estratégia de isolamento adotada pelo Estado tenha "salvado vidas" e diz que o governo irá adotar medidas de flexibilização nos lugares "em que a ciência garantir, sem colocar vidas em risco." Ao 'Gabinete de Crise', o secretário destaca próximas ações do governo João Doria (PSDB) no combate ao coronavírus.

Aumento de casos na RMVale

Temos acompanhado os dados, nos últimos 30 dias, a forma que se deu esse avanço no interior. Muita gente acha que não temos tido casos como na Capital ou na Grande SP, mas na verdade o crescimento entre 15 de abril e 30 de abril foi de 152%, na média. Se considerar os óbitos, quase 200% de crescimento. Esperamos sim um aumento no número em todo interior, por isso a gente tratou de ter uma base cientifica e tratar a retomada gradual naquela parcela da economia que está em isolamento. Já é possível afirmar que os próximos dias serão de número intenso de casos em todo interior.

Queda no isolamento

Isso se dá por vários fatores. Não dá pra negar, talvez o principal, o sinal trocado que o presidente da República [Jair Bolsonaro, sem partido] sempre dá para as pessoas, que o isolamento social não é a prática indicada para enfrentamento do coronavírus. O que não é a realidade. Quando a gente chega no início de abril e tinha mais de 70% dos casos do Brasil e agora em maio é pouco mais de 35%, fica evidente que o isolamento social em São Paulo foi fundamental. Esse tipo de curva deixa muito claro pelos infectologistas que o isolamento foi fundamental. Outro fator é que muitas vezes essa curva é de difícil identificação para o leigo. Ouvi questionamentos de que "tem três dias que não temos casos novos", e de repente uma alta. O espaço de verificação da incidência do vírus deve ser um pouco maior em base cientifica. A gente leva a informação e sempre faz isso com base nesse espaçamento para conseguir passar o máximo de dados científicos para população. É o que vai ajudar a aumentar o isolamento.

Flexibilização?

O índice que vai definir a flexibilização vai levar em conta casos, taxa de isolamento, número de leitos, enfim, tudo que é necessário para avaliar o risco. O isolamento sem dúvida vai ter um impacto. O que fazer nesse momento é avançar nessa conscientização. Tivemos no último dia 25 o pico mundial de casos e aqui em São Paulo no dia 28, e com certeza vamos ter picos maiores. A conscientização para as pessoas de que o isolamento funcionou em São Paulo, salvou vidas, e deve seguir como prática.

Leitos de UTI?

Importante dizer que segue o mesmo modelo que o estado sempre teve, o Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), um sistema que faz regulação dos pacientes em todo estado. A pandemia é mundial, nacional, estadual e regional. Por isso que não dá para fazer reabertura em uma cidade e a vizinha não participar do processo, tudo é interligado. E assim também é o atendimento de casos da saúde, sempre foi e continua sendo. Existe possibilidade de uma pessoa de São José ser atendida em São Paulo e uma de uma região próxima regulada pelo Cross ser atendida em São José. Assim funciona o sistema.

Diálogo com Felicio

Importante afirmar que a orientação, o diálogo tem sido o norte do nosso trabalho. Estamos com prefeitos de cidades importantes, venho conversando com o Felicio tem mais de um mês. Ele e a equipe dele vêm estudando e dentro disso criou um modelo de retomada gradual das atividades. Quero lembrar que 74% das atividades permaneceram ativas, e 26% é o que estamos discutindo. Ele montou um modelo dentro disso, e nossa equipe previa um espaço maior pra avaliar essa curva: ele queria até o dia 27 e a gente até o dia 11, para identificar o nível de risco de fato nas cidades da região e implementar a flexibilização proporcional a isso. Felicio faz um grande trabalho, só tivemos essa divergência de quando fazer, e ai a gente ouve nossa equipe, dialoga e orienta. [...] Sempre levamos os dados do estado, passamos com o nosso time do comitê, com o próprio governador, e sempre positivamente, trocando ideias, apresentados os dados de São José, em quais experiencias internacionais temos acompanhado resultados. Sempre um diálogo franco, mas ele sempre manteve a intenção de fazer reabertura dia 27, por entender, com os dados que tinha, que seria importante para o município. E a gente mantendo posição que esse espaçamento maior seria necessário.

Importância da ciência

Nosso comitê de contingenciamento são 16 pessoas. Além do [médico infectologista, David] Uip, o secretário [de Saúde, José Henrique Germann Ferreira], cientistas de universidades como USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), outros infectologistas. A comunidade cientifica dialoga muito, um estudo que sai no mundo eles acompanham diariamente. Na última vez que o governador ampliou a quarentena, naquela data se falava muito que não sabia como estaria aceleração dos casos, e hoje ninguém tem dúvida. Eles acompanharam isso de forma técnica e científica, e tem sido fundamental para nós. Em São Paulo tem crescido os números, mas a gente não viu gente morrendo nos corredores de hospitais, por exemplo. A estratégia está sendo efetiva. Não faltou leito, estamos ampliando esse número, e temos certeza que ao final disso vamos ter o melhor resultado possível.

Momento decisivo

Estamos ainda em um período de muita atenção. O número de casos tem crescido, o país já é o de maior número de contágio proporcional e o terceiro em números gerais diários. O Brasil está hoje na crista da onda da ascendência. O Estado, através do isolamento, conseguiu salvar vidas. Precisamos manter essa prática, seguir as orientações médicas. No próximo dia 11 vamos fazer retomada gradual mas nos lugares em que a ciência garantir para nós que o modelo vai servir, sem colocar vidas em risco. De forma transparente, com prefeitos e sociedade, mas calcada na ciência.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 13 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.