Economia

Sem Boeing, Embraer tem futuro incerto

Empresa chamava de "parceria estratégica" o acordo com a Boeing e apostava num impulso da aviação comercial; empresa americana desistiu do negócio

@Da redaçãoPublicado em 25/04/2020 às 13:08Atualizado há 24/07/2021 às 21:58
Jato comercial. O E195-E2, da Embraer, é uma das apostas da empresa para os próximos anos no mercado mundial; voo inaugural já foi realizado e meta é expandir mercado (Divulgação)

Jato comercial. O E195-E2, da Embraer, é uma das apostas da empresa para os próximos anos no mercado mundial; voo inaugural já foi realizado e meta é expandir mercado (Divulgação)

O cenário é desafiador e o futuro incerto para a Embraer sem a parceria comercial com a Boeing, que comunicou neste sábado (25) a rescisão do acordo com a fabricante brasileira.

As companhias formariam duas joint ventures: a Boeing Brasil Commercial com 80% da aviação comercial da Embraer, sob controle da Boeing, e outra para vender a aeronave militar C-390 Millenium pelo mundo.

Contudo, Embraer e Boeing enfrentam momentos difíceis em razão da pandemia do coronavírus, que fez despencar a aviação comercial no mundo. Analistas preveem queda acentuada nas entregas de novas aeronaves pelos próximos anos.

A crise foi o ápice que levou ao encerramento do negócio.

A Boeing já pediu ajuda financeira de US$ 60 bilhões ao governo americano. A fabricante americana também enfrenta crise com o avião 737 MAX, a maior da sua história.

Por sua vez, a Embraer vem registrando prejuízos líquidos seguidos desde o segundo trimestre do ano passado, tendo encerrado 2019 com prejuízo líquido ajustado (excluindo-se impostos diferidos e itens especiais) de R$ 862,7 milhões.

Parte da queda deve-se aos custos com a separação da aviação comercial do restante da companhia, para o então negócio com a Boeing, cujos gastos exigiram R$ 485,5 milhões no ano passado.

Antes da pandemia, a empresa já estava em processo de separação física dos seus funcionários para a nova sede no distrito de Eugênio de Melo, na região leste de São José dos Campos. As instalações foram ampliadas e inauguradas em janeiro deste ano, com investimento de US$ 30 milhões.

Além disso, a Embraer já vinha separando seus sistemas e transferindo a aviação executiva para Gavião Peixoto.

Tudo isso desaba com a desistência da Boeing, e deixa o futuro incerto diante dos desafios de competitividade e liquidez em um mercado que ninguém sabe como será.

“A situação está bastante complicada, não só para a Embraer como para companhias e operadoras aéreas do mundo todo. Não sabemos como o mundo vai sair da pandemia, como vai ser a reestruturação toda”, disse Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).

Segundo ele, já se esperava a desistência da Boeing em razão da crise que a empresa vive, piorada com a pandemia. “O momento é de pausa. Boeing não está vendendo e a Embraer também não vai vender”.

Bastos disse que o cenário mundial “mudou completamente” e que o coronavírus afetou principalmente o setor aéreo, o que trará impactos para a Embraer.

“Não dá para avaliar ainda se será bom ou ruim [o novo cenário mundial]. Tem que passar essa situação, e só vislumbro isso para 2021, daí teremos um cenário. Não dá para avaliar o futuro da Embraer agora, porque nenhum país saiu disso ainda”, afirmou Bastos.

CHINA.

Em sites especializados, analistas apontam uma alternativa para a Embraer: a venda para os chineses.

A aviação chinesa vem fazendo investimentos para competir com Boeing e Airbus por meio do jato C919, da estatal chinesa Comac. O avião é equivalente ao A320 da Airbus e ao 737 da Boeing, mas tem passado por problemas em seu desenvolvimento.

Faltam aos chineses justamente a experiência e a capacidade da Embraer. A linha de jatos comerciais da brasileira ainda complementaria o C919. Um eventual acordo também abriria as portas do mercado chinês para a Embraer.

No entanto, a hipótese ainda não passa de especulação no mercado.

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