'Nos EUA, há planos de usar pistas de patinação para colocar os corpos'

Em primeira pessoa, Elaine Sampaio, 31 anos, fala sobre a epidemia nos EUA, onde mora desde 2011 após sair de Guaratinguetá: 'É aterrorizante o quanto está crescendo. Americanos estão amedrontados, não vejo ninguém'

Xandu [email protected] | @jornalovale

Moro em Germantown, estado de Maryland (EUA), e sou gerente de programas do Medical Science and Computing. Tenho 31 anos e estou nos EUA desde 2011. Germantown tem 90 mil habitantes. No condado onde eu moro tem 2.868 casos confirmados e mais de 126 mortes.

Todos estão de quarentena. Não podemos sair para outros lugares a não ser supermercados, farmácias e postos de gasolinas. Comércios que não são considerados essenciais estão fechados. Alguns restaurantes estão abertos, mas só entregando encomendas.

A falta de alimentos e produtos nos supermercados e as imagens de ruas vazias são assustadores. Mas a imagem que mais me assusta é que temos de nos manter afastados uns dos outros. Temos medo de chegar perto de outra pessoa, e isso é agonizante para nossa sobrevivência.

Evitar o contato físico por conta de um vírus é algo que ninguém poderia imaginar.

O número de casos aqui nos EUA está fora de controle.

Maryland tem planos de usar pistas de patinação de gelo para colocar corpos. Só de imaginar é aterrorizante.

A epidemia afetou minha profissão e vida social. Num dia comum, eu dirigiria cerca de 30 minutos para meu escritório, que fica na cidade vizinha, Rockville. Agora trabalho remotamente com computador e celular, em casa.

Uma das minhas funções é contratar novos trabalhadores para dar suporte em TI e biomedicina no Instituto Nacional de Saúde dos EUA. A maioria dos candidatos é de estrangeiros e precisam de vistos para trabalhar conosco.

DRAMA.

A imigração dos EUA suspendeu novos vistos de trabalho, isso afeta de maneira negativa meu trabalho, já que o Instituto precisa urgentemente de funcionários para trabalhar com pesquisas de vacinas para a cura de Covid-19.

É impossível visitar meus amigos ou sair a passeio. Meu dia é de trabalhar em casa, cozinhar, me exercitar, ler e assistir TV.Com o aumento dos casos, passei a ter receio em sair para caminhadas longas.

Estou longe da minha família [de Guará] e os hospitais daqui não funcionam como os públicos do Brasil, então sem suporte eu morro de medo de me contaminar. Falo com minha mãe em Guaratinguetá todos os dias pelo celular, também com os amigos. Nessa hora, a tecnologia ajuda muito..

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