Doria rebate prefeitos e ameaça ir à Justiça contra flexibilização: 'Obediência deve ser rigorosa'

Por decreto, prefeito de São José quer reabrir comércio antes do fim da quarentena

@Da redação | @jornalovale

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que prefeitos e prefeitas devem obediência rigorosa à quarentena determinada pelo governo estadual até 10 de maio, sem qualquer medida de flexibilização ao isolamento antes do prazo.

Ele ainda ameaçou buscar na Justiça a manutenção da quarentena nos municípios, caso não haja entendimento por parte de mandatários.

No Vale do Paraíba, o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), emitiu um decreto para permitir a reabertura do comércio a partir de 27 de abril.

A atitude provocou um efeito dominó. Outros prefeitos da região, como os de Taubaté (Ortiz Junior) e Jacareí (Izaias Santana), também sinalizaram por medidas semelhantes.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (22), Doria garantiu que a quarentena seguirá até 10 de maio e que o Estado poderá procurar a Justiça para garantir o isolamento.

“A reabertura econômica será após 11 de maio. Até 10 de maio, não haverá nenhum movimento e alteração à quarentena. A obediência deve ser feita rigorosamente dentro do que estabeleceu o Estado. Nada muda até lá, e vamos precisar de paciência e compreensão”, afirmou o governador.

Sobre as cidades que já querem flexibilizar a quarentena, como São José dos Campos, Doria disse que primeiro buscará convencer os prefeitos a desistir do relaxamento. Se não der certo, procurará os meios legais.

“Não é prudente e conveniente que nenhuma cidade rompa a quarentena antes de 10 de maio. Que tenham capacidade e resiliência para aguardar a etapa seguinte”, disse.

“Estamos atentos e prestamos atenção nos movimentos e respeitamos a opinião de prefeitos e prefeitas. Vamos estabelecer o diálogo com cidades que manifestaram intenção de abrir. Mas se não tiver convencimento, adotaremos medidas de ordem legal, para que mantenham a quarentena até 10 de maio”, afirmou Doria.

Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o médico infectologista David Uip disse que tem feito videoconferências com prefeitos do interior, incluindo mandatários do Vale, para confirmar os dados científicos que norteiam a manutenção da quarentena.

“Estamos falando com prefeitos e deputados estaduais e federais no sentido de esclarecer que o nosso papel é de municiar os prefeitos com a melhor informação científica e técnica. Papel é de convencimento por meio da ciência.”

ABERTURA

Nesta quarta-feira, Doria anunciou o ‘Plano São Paulo’ para a abertura gradual da atividade econômica no estado. A flexibilização da quarentena será feita a partir de 11 de maio e não será igual para todas as regiões. Vai depender de análise do crescimento da doença, da expansão do vírus e da capacidade do sistema de saúde.

“Projeto de reabertura é amparado na ciência, na curva [dos casos] e na capacidade de [o sistema de saúde] tratar doentes, todos estando sob controle. Definiremos os protocolos para a volta gradual e segura à normalidade, protegendo vidas e a saúde”, explicou Doria.

“O processo [de reabertura] será colaborativo. Preservação de vidas como principal objetivo e volta gradual à normalidade. Decisões tomadas com base em dados científicos”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen.

SÃO JOSÉ.

Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (22), o governo Felicio Ramuth informou ter se reunido com o Estado em videoconferência para discutir o assunto, mas disse que somente irá se posicionar após decisão judicial.

"O diálogo continuará mantido, havendo durante os próximos dias uma troca constante de informações entre o Estado e o Município.

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