Pesquisa põe RMVale na rota para surto do coronavírus

Vale do Paraíba está entre as regiões do país com maior risco para desenvolver um surto do novo coronavírus, pela proximidade com São Paulo e Rio de Janeiro e o deslocamento das pessoas entre as cidades e as capitais

Xandu [email protected] | @xandualves10

O Vale do Paraíba é umas das regiões com maior risco de enfrentar um surto de coronavírus, segundo pesquisadores da Fiocruz (Fundação Instituto Oswaldo Cruz) e da FGV (Fundação Getulio Vargas), no Rio de Janeiro.

O motivo é a proximidade com as duas maiores cidades do país -- São Paulo e Rio de Janeiro --, que lideram a relação de casos confirmados de coronavírus e as mortes registradas no Brasil.

Especialista em modelos de propagação de doenças da Fiocruz, o físico Marcelo Gomes coordenou a equipe que analisou o fluxo de pessoas que partem do Rio e de São Paulo, primeiras cidades do país a apresentar transmissão comunitária, para outras capitais e grandes municípios.

Os pesquisadores também levaram em consideração o fenômeno da mobilidade pendular, que é o trânsito diário de pessoas entre municípios.

Gomes e equipe buscaram identificar como, a partir de dois focos iniciais (São Paulo e Rio), o coronavírus poderia se disseminar pelo país.

De acordo com o estudo, as capitais com maior propensão a ter surtos da doença são Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife.

A epidemia também deve se concentrar nas cidades conectadas por via terrestre no Vale, como São José dos Campos, Jacareí e Taubaté, que estão entre as de maior quantidade de casos e mortes.

"Embora esse seja o pior cenário, ele pode auxiliar as autoridades a identificar áreas prioritárias para a alocação de recursos", disse Gomes, que já apresentou os resultados ao Ministério da Saúde e a outros gestores públicos.

"Ainda que as medidas que vêm sendo tomadas reduzam o fluxo de pessoas, a ordem das cidades e regiões a serem afetadas não deve mudar".

Atualmente, Gomes analisa os cenários para uma segunda onda de disseminação do novo coronavírus, que começaria mais adiante.

Projeção do Imperial College of London reforça as ações precoces de isolamento

O Imperial College of London apresentou projeções para a disseminação do coronavírus no Brasil. Sem adotar quaisquer medidas de mitigação, o país poderia ter 187 milhões de infectados e 1,15 milhão de mortos. Com distanciamento social de toda a população, os infectados poderiam chegar a 122 milhões, com 627 mil mortes. No cenário de distanciamento social e reforço do distanciamento dos idosos, seriam 120 milhões de infectados e 529 mil mortes.

No caso de supressão (testar e isolar pacientes positivos) tardia, seriam 49 milhões de infectados e 206 mil mortes.

O cenário de supressão precoce, que a maior parte dos estados adotou no país, os infectados seriam 11 milhões e as mortes, 44 mil.

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