Juíza barra construção de imagem gigante da Padroeira no Vale da Fé

Juíza de Aparecida atendeu pedido da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos que defendeu o Estado laico em um pedido de retirada de monumentos da santa de terrenos públicos em Aparecida, doados pela prefeitura

Xandu [email protected] | @xandualves10

Após pedido de ateus e agnósticos, a Justiça barrou a construção de imagem gigante de Nossa Senhora em Aparecida, capital da fé católica no país.

A inusitada ação foi impetrada pela Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), que reivindicou o Estado laico para defender o pedido. A Prefeitura de Aparecida vai recorrer da decisão.

Na sentença, a juíza Luciene Allemand, de Aparecida, determinou a "proibição definitiva" do financiamento, pela prefeitura, de obras referentes aos "300 anos de bênçãos", comemorados em outubro de 2017. Trata-se dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora nas águas do rio Paraíba, em 1717.

A prefeitura instalou cinco monumentos na cidade e estava construindo um parque temático com uma estátua de Nossa Senhora de 50 metros de altura, maior do que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que tem 38 metros.

A meta era terminar em dezembro de 2017, mas as obras foram paralisadas.

O parque teria 140 mil m², a estátua e capela, e era um dos principais projetos do prefeito Ernaldo Cesar Marcondes (MDB), afastado do cargo por supostas fraudes na compra de kits escolares.

Na época, o artista Gilmar Pinna, idealizador da estátua de metal, disse que o trabalho era um presente dele para os devotos da santa.

Luciene determinou a paralisação de obras de caráter religioso em terrenos doados pela municipalidade, a remoção dos monumentos alusivos aos "300 anos de bênçãos" e o ressarcimento do dinheiro oriundo do erário público e eventualmente gasto nas obras.

A magistrada decretou ainda a "nulidade da doação ou qualquer outra modalidade de cessão de terreno público para a construção do espaço/monumento religioso".

'Existência de Aparecida deve-se à imagem de Nossa Senhora', diz prefeito

A Prefeitura de Aparecida vai recorrer da decisão. Ainda afastado do cargo, o prefeito Ernaldo Cesar Marcondes (MDB) afirmou, em nota, que a existência de Aparecida se deve ao encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Sem ela, a cidade não receberia visitantes --mais de 12 milhões por ano. Ele negou que as áreas tenham sido doadas a terceiros e afirmou que os monumentos são de caráter turístico. "Prefeitura buscou criar novos roteiros e eixos turísticos que já estão beneficiando o comércio local".

Informou ainda que os recursos utilizados vieram do governo estadual, mesmo não informando o valor, e que os projetos foram aprovados pelo Conselho Municipal de Turismo.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 7,5 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.