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Com radares na mira do governo, rodovias lideram acidentes fatais no Vale

Presidente Jair Bolsonaro (PSL) anuncia que vai suspender radares móveis nas rodovias de trânsito, em decisão que contesta os estudos e especialistas na área; na região, mais de 60% das mortes no trânsito foram em rodovias

Caíque [email protected] | @caiquetoledo

Alvo do governo Jair Bolsonaro (PSL), que promete retirar os radares móveis das estradas federais brasileiras já na próxima semana, as rodovias lideram as mortes no trânsito em 2019 na RMVale -- região que tem mais mortos em acidentes do que pela violência.

O Vale do Paraíba registrou 182 óbitos no trânsito durante o primeiro semestre do ano -- um aumento de 8,33% na comparação ao mesmo período de 2018 (168 vítimas fatais).

Em 2019, 111 das 182 mortes (equivalente a 60,99%) foram registradas em rodovias, diz o Infosiga. Outras 32,97% ocorreram em vias municipais. Em 6,04% o local não foi definido.

De acordo com dados, o número de mortes nas rodovias é de 50% em São José e Guaratinguetá, chegando a 57,14% em Taubaté e Jacareí.

No primeiro semestre, o Vale registrou 167 assassinatos, de acordo com os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

RADARES.

Para especialistas, a retirada dos radares em rodovias pode ampliar a violência no trânsito. Bolsonaro promete que os radares móveis, operados por policiais rodoviários federais, serão suspensos. Essa semana, o presidente voltou a afirmar que o aparelho funciona como uma "pegadinha".

"Vamos suspender os radares móveis até que haja um entendimento para que se convença a população que deve ser utilizado", disse.

A medida é alvo de críticas de especialistas, que dizem que o número de mortes crescerá. Historicamente, o excesso de velocidade é um dos principais fatores para o alto número.

Para o especialista em trânsito Sérgio Ejzenberg, é necessário que haja cada vez mais fiscalização nas rodovias. "Quanto mais fiscalização, melhor. Aumenta segurança, diminui acidentes, e vale para qualquer tipo de fiscalização: velocidade, semáforos... Tudo que puder é melhor fiscalizar para ter menos potencial de risco", diz Ejzenberg. "Tem que avaliar o que é caça-níquel, precisa ser da maneira correta. Pode multiplicar os radares, colocando-os corretamente por toda a rodovia, para que respeitem o limite de velocidade. Nos casos de redução, o ideal é lombada eletrônica. Fiscalização precisa existir da maneira certa para evitar mais acidentes", disse. 

No primeiro semestre, trânsito matou mais do que a violência no Vale

Mesmo sendo a região mais violenta do interior de São Paulo, com taxa de homicídios que supera até a da capital, o Vale do Paraíba tem mais mortes causadas pelo trânsito do que pela violência.

Nos seis primeiros meses deste ano, na região foram 182 óbitos decorrentes de acidentes de trânsito e outras 167 pessoas assassinadas, sendo 160 homicídios e 7 latrocínios (segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado). A média é de uma morte por dia no trânsito das estradas e cidades da região: 182 mortes em 181 dias, de janeiro a junho.

Detran organiza encontro no dia 20 para debater educação no trânsito da região

No próximo dia 20 acontece o primeiro Encontro de Educação para o Trânsito da RMVale, que será sediado em Aparecida. Organizado pelo Detran (Departamento de Trânsito do Estado), o evento vai reunir órgãos públicos, concessionárias das rodovias que cortam a região e prefeituras.

"O objetivo é justamente fomentar em todos os municípios um alarde em relação a esse tema. Infelizmente, no Vale os dados não são positivos, e nós precisamos desenvolver ações para reduzir esses números", diz Eduardo Chaves, diretor regional do Detran.

"Nós temos que trabalhar reforçando a conscientização. A proposta é criar uma comissão, envolvendo municípios, representantes de órgãos e da polícia rodoviária", afirma.