Ideias

um ano em que erramos quase tudo como país

Julio CodazziJornalista, editor-executivo dos jornais OVALE e Gazeta de TaubatéPublicado em 13/03/2021 às 02:00Atualizado há 24/07/2021 às 03:39

No dia 11 de março de 2020, data em que comemorei meu aniversário de 38 anos, uma palavra entrou de vez em nossa rotina (que aliás, depois disso já não é mais a mesma): pandemia. O termo, de origem grega ('pan' é 'tudo, todos'; e 'demos' é 'povo'), ainda nem parecia capaz de representar todo o sofrimento que viria na sequência.

Quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a situação do coronavírus como uma pandemia mundial, o perigo da doença ainda nem era conhecido por aqui. Naquela data, embora a Covid-19 já tivesse atingido 118 países, com 121 mil infectados e 4.300 mortos pelo mundo (a maioria na China e na Itália, até então), o Brasil somava apenas 52 casos positivos, 876 suspeitos e nenhum morto. Nenhum morto!

Por mais que o problema fosse mundial, o Brasil estava em uma situação até privilegiada, pois tivemos alguns meses para observar como a doença se alastrava por outros países e pudemos ver o que dava certo e o que não funcionava na tentativa de frear o vírus. Tínhamos a faca e o queijo na mão, mas os números registrados um ano depois mostram que, governado por um incompetente, o Brasil foi incapaz de seguir os bons exemplos - e, infelizmente, se tornou o pior exemplo de combate à doença.

Um dia antes de a pandemia completar um ano, o Brasil já era o país que mais registrava mortes diárias pela Covid-19. Em 10 de março, foram 2.286 vítimas por aqui. Mais do que a soma do segundo (Estados Unidos, com 1.343 mortes) e do terceiro colocados (México, com 866). Nesse mesmo dia, a Ásia, que abriga 4,6 bilhões de pessoas, contabilizou 801 mortes. Ou seja, com 5% da população do continente asiático, o Brasil, que tem 210 milhões de habitantes, registrou bem mais do que o dobro de mortes.

Para quem acompanhou o que aconteceu no Brasil nesses 365 dias, e principalmente o que deixou de ser feito por aqui, essa triste situação atual não é nenhuma surpresa. Se um político como Jair Bolsonaro seria incapaz de guiar a nação em tempos normais, imagina então numa pandemia. Ele é, sem dúvida, o maior responsável pelas milhares de mortes diárias no país. Bolsonaro zombou da doença, aglomerou, promoveu medicamentos ineficazes contra a Covid-19, não comprou vacinas, espalhou informações falsas e muito mais. Mas, embora seja o principal, ele não é o único culpado. Governadores e prefeitos que, por cálculo político, retardaram a adoção de medidas de isolamento social também são responsáveis pelo que ocorre hoje no Brasil. Além, é claro, da parcela da população que descumpre orientações sanitárias.

Nesse aniversário de 39 anos, que eu nem pude comemorar, meu desejo é que os próximos 365 dias sejam de mudança de rumo no país. Um futuro diferente para o Brasil seria meu melhor presente..

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