Pensar globalmente e agir localmente

Osman Cordeiro*

Pensar globalmente e agir localmente. Essa frase é amplamente falada em ambientes acadêmicos, empresariais e de inovação, apontando a busca pelo desenvolvimento socioeconômico; e isso, há décadas.

Quais ações precisam ser adotadas, localmente, para ser competitivo globalmente?

Nesse sentido, o caso mais expressivo e histórico da cidade de São José dos Campos foi a criação do DCTA, que, além dentre outros Institutos, gerou o ITA que, por sua vez, gerou a Embraer, ou seja, potencializou a industrialização desta cidade.

A Embraer se tornou um player global com origem em São José dos Campos, voou e pousou em outras cidades e países, motivada por um melhor atrativo financeiro, tributário ou mercadológico. O fato é que São José dos Campos e/ou o Brasil deixou de ser tão competitivo quanto foi nas primeiras décadas da existência da Embraer.

O governo e lideranças também não conseguiram perceber a necessidade de se envolverem para melhorar a competitividade, fortalecendo a cadeia produtiva, empregos e renda. É vital olhar para a Embraer, que ainda permanece em São José e construir as pontes necessárias para a sua permanência e crescimento nesta cidade, pois, além dos postos de trabalho gerados diretamente, existem mais de 100 empresas fornecedoras de peças e serviços para a Embraer, que estão reunidas no cluster aeronáutico, gerenciado pelo Parque Tecnológico São José dos Campos, com grande potencial técnico e de produção ainda pouco explorado, inclusive no mercado internacional.

Ainda neste contexto, outro caso mais recente de São José, pós virada do milênio e que merece ser citado por já ter dado muitos frutos, é o Parque Tecnológico, focado no desenvolvimento, ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade. Ele está baseado na tríplice hélice: academia, empresas e poder público, e atualmente é o maior parque do país, com dois clusters consolidados: TIC tecnologia da informação e comunicação, e Aeronáutico supracitado.

No entanto, é necessário desenvolver e integrar outros seguimentos econômicos locais, pois uma cidade é heterogênea, e necessita de práticas diversificadas para incluir e gerar oportunidades para toda a sociedade. É necessário que o poder público e as lideranças tenham a sensibilidade e a capacidade necessária para manter as conquistas já consolidadas, a fim de evitar erros do passado, retroceder, sempre buscando desenvolver novos seguimentos da economia, baseado nesta visão de como gerar competência global com ação local.

*Empreendedor, empresá-rio, fundador Cecompi/Parque Tecnológico S. J. Campos, ex-diretor do Ciesp, ex-sec. Des. Econômico, Ciência e Tecnologia, Transportes e Admini da prefeitura de S. J. Campos

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.