Sob a inspirao de Incitatus

Marcos Meirelles Jornalista |

A pandemia avana, a economia afunda e impossvel no falar, neste momento, no Brasil, sobre o doido da cloroquina e sobre seus desmandos e de seus familiares.

E preciso falar tambm sobre a maluquice de tantos brasileiros, em exposio frentica Covid-19 nas ruas e aglomeraes, todos eles magnetizados pelas sandices do presidente.

J dizia Simo Bacamarte, este personagem to singular de Machado de Assis, em O Alienista: "A loucura era at agora uma ilha perdida no oceano da razo; comeo a suspeitar que um continente."

Como j disse, o essencial, na narrativa dos bolsonaros, desqualificar a verdade. Nas minhas leituras de Foucault, um dos textos que mais me fascinaram foi a anlise do comportamento de um criminoso em "Eu Pierre Rivire, que degolei minha me, minha irm e meu irmo". "O sujeito, preso na armadilha, por seu turno tambm arma uma: ele se deixa prender de maneira a estabelecer a incerteza dos mdicos e dos magistrados, numa espcie de indecidvel universal da loucura (...). Tudo dito, com efeito, para que a prova se volte contra ela mesma."

Fato: o cl Bolsonaro tem agora, em Queiroz, o seu corrupto de estimao, preso em Bangu 6. Junto com Cabral e Pezo.

Morre por terra, simbolicamente, o ltimo bastio do discurso bolsonarista: "nunca fomos corruptos, nunca estivemos envolvidos em esquemas envolvendo dinheiro pblico".

Diz o MP: Flvio, o Zero 1, usava Queiroz para arrecadar grana de funcionrios fantasmas da Assembleia. E fantasmas assombravam tambm o gabinete de Bolsonaro em Braslia.

As provas so fartas e irrefutveis. Para sujeitos voluntariamente deslocados do eixo da realidade, infelizmente, podem significar coisa alguma.

Queiroz ser novamente a pobre vtima da Justia? O Zero Um voltar a afirmar que jamais poderia desconfiar que o brao direito de seu pai desviava dinheiro de maneira ilegal?

O Twitter do Carluxo nos dir. Mas o xilindr est irremediavelmente associado famlia que hoje rege o destino de 220 milhes de brasileiros..

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