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Uma indústria criada para a morte?

Luís Roberto Cândido Jornalista |

Caiu-me como uma bomba uma charge publicada na imprensa nacional que traz um dono de funerária pendurando orgulhoso a foto de Jair Bolsonaro em sua parede. É que para mim ela não significou apenas mais uma análise política, genérica. Pegou-me apenas algumas horas após de um sepultamento que nos faz pensar nessa lógica perversa de instigar as pessoas a assumir para si a iniciativa de enfrentar o crime, inclusive armando-se.

Essa lógica, alimentada pelo próprio presidente da República, sugere que a bandidagem estaria muito à vontade por falta de reação dos seus alvos. A vítima disso, desta vez, foi um querido amigo dos meus filhos, que estava no carro com sua família quando um meliante os abordou. Entregaram celulares, chave do carro e aguardavam o afastamento do ladrão para voltar a respirar e tocar a vida. Mas então ouviram tiros. Quando o silêncio veio, os pais encontram o filho de 18 anos jazendo no colo da filha de 13. Um dos disparos o atingiu fatalmente.

Mas porque este assalto não acabou só com prejuízo material? Porque um policial aposentado passava por ali e reagiu. Não tenho condições de julgar se houve mal julgamento do momento mais seguro de agir. Mas não consigo parar de me perguntar: se uma pessoa treinada e experimentada no uso de arma de fogo não foi capaz de impedir que sua reação terminasse de forma trágica, imagine o que assistiremos se milhares de brasileiros começarem a julgar que ganharam uma estrelinha de xerife junto com a arma que passarão a poder comprar e portar?.