Especial

Duplicação: antiga demanda

Segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem, os apelos para que a ligação entre São José dos Campos e Caraguatatuba recebesse novas pistas ganharam força na década de 1990

Da Redação
21/04/2021 às 00:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:30
Tamoios (Divulgação)

Tamoios (Divulgação)

A necessidade de duplicação da Rodovia dos Tamoios não é novidade. Segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem, os apelos para que a ligação entre São José dos Campos e Caraguatatuba recebesse novas pistas ganharam força na década de 1990, com o crescimento populacional no Litoral Norte e o aumento do fluxo de turistas. “No fim dos anos 90, com o aumento da demanda, você já começou a ter operações de subida e descida na Tamoios. A necessidade de duplicação é resultado disso”, explicou Denise Lemes, historiadora do Arquivo Municipal Arino Santana de Barros, ligado à Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba). “Uma estrada construída nos anos 30, que passou por uma reforma nos anos 50, chega aos anos 90 já defasada”.

Os primeiros estudos do governo estadual para analisar a viabilidade econômico-financeira de melhorias na ligação com o litoral remontam do início da década de 2000.

Desde então, a alternativa que se mostrou mais viável foi justamente a duplicação da Tamoios. Mesmo assim, o projeto só foi anunciado em 2010, no governo de Alberto Goldman (ex-PSDB, falecido em 2019). Alterado em 2011 por Geraldo Alckmin (PSDB), começou a sair do papel no ano seguinte, em 2012.

Agora, em 2021, a ligação entre São José dos Campos e Caraguatatuba, que foi idealizada em 1931 e que em 1978 foi batizada oficialmente de Rodovia dos Tamoios, ainda aguarda a conclusão de suas obras de duplicação. Se as previsões atuais forem cumpridas, os trabalhos serão encerrados em 2022, quando serão completados 90 anos do início da construção da via, no longínquo 1932.

Nessas nove décadas, a estrada tem exercido papel fundamental no desenvolvimento econômico da região. Espera-se que a duplicação represente um novo impulso, como os que já ocorreram no passado.

Até o fim da década de 1920, por exemplo, Caraguatatuba era formada apenas por uma praça, duas ruas, um beco e algumas centenas de moradores. Em 1931, ao passar férias em São Sebastião, o Capitão Edgar Pereira Armond, da Força Pública de São Paulo, percebeu que o Litoral Norte estava praticamente ilhado e interessou-se pela construção de uma estrada que ligasse a região ao Vale do Paraíba. À época, já havia uma ligação entre São José e Paraibuna, feita na década de 1920. A obra da interligação até Caraguatatuba começou em 1932. A conclusão se deu em 1938, mas o trecho Paraibuna-Caraguá já estava em funcionamento desde 1934. A pavimentação foi feita somente em 1957. “No fim dos anos 50, com a estrada transitável, isso passou a atrair muitos turistas para a cidade, resultando num boom de construção”, narrou Denise Lemes.

Em 1970 houve melhoria no traçado da via, que em oito anos depois foi batizada oficialmente de Rodovia dos Tamoios. Com a estrada mais acessível, o litoral passou por um novo boom de crescimento na década de 1980. O ciclo se fechou na década seguinte, quando as pistas existentes deixaram de ser suficientes para atender a demanda de veículos, e a duplicação passou a ser uma necessidade..

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