Especial

Com explosão de casos, pesquisador da Unesp vê risco em flexibilização no Vale; Estado cogita abertura ainda maior

Publicado em 06/06/2020 às 01:37Atualizado há 24/07/2021 às 19:06
Pandemia em São José (Sergio Nascimento)

Pandemia em São José (Sergio Nascimento)

O Vale do Paraíba registrou, na primeira semana de junho, os piores números relacionados à Covid-19 desde o início da pandemia por aqui, em 18 de março.

Por três vezes consecutivas, a região bateu o recorde de novos casos diários de pessoas infectadas pelo coronavírus e de mortes, progressivamente com 125, 128 e 159 novos doentes por dia e 7 e 11 novos óbitos em 24h.

A soma de casos confirmados nos quatro primeiros dias de junho (496) é quase igual ao registrado em todo o mês de abril (530) e quase um terço dos casos nos 31 dias de maio (1.672), mês com maior pico da doença até agora.

ISOLAMENTO.

Os números mostram que a queda da taxa de isolamento verificada no Vale nas duas últimas semanas de maio já está cobrando seu preço, com aumento de casos e mortes no início de junho.

O motivo é que um caso confirmado demora até 15 dias para ser registrado, passando pelo contágio, detecção e confirmação por exame.

Os números revelam tendência de crescimento de infectados e mortes por Covid-19 na região, o que pode impactar o sistema de saúde.

No entanto, não é assim que pensa o Estado.

Mesmo nesse quadro de avanço da doença, o governo estadual confirmou que a RMVale segue tendência de ampliar a reabertura das atividades econômicas a partir de 15 de junho, em razão de indicadores positivos na saúde.

O principal deles seria a baixa ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com pacientes de Covid-19. O crescimento de casos confirmados da doença não estaria impactando o sistema de saúde regional.

“No Vale, tivemos uma evolução na semana e indicamos uma melhora da fase laranja para a amarela por causa da melhora dos índices de internação”, disse a OVALE Marco Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Regional.

“Quando verificamos o aumento do número de casos, isso se dá pelo aumento da testagem na região. A tendência, levando em conta as internações, é de melhora nos números do Vale.”

João Gabbardo, secretário-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, disse que a região será analisada pelos seus indicadores, “com segurança”.

“Esse processo é dinâmico. Pode sofrer alterações nas recomendações de uma semana para outra, dependendo dos indicadores. O critério da segurança é o mais importante.”

Gabbardo disse que o plano prevê análises regulares dos números da região e a possibilidade de limitar a flexibilização. “A população tem que estar preparada para modificações nesse cenário”.

RISCO.

Raul Borges Guimarães, coordenador do Laboratório de Biogeografia e Geografia da Saúde da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente, afirmou que “acompanha com apreensão as medidas de flexibilização” no interior, como no Vale.

Segundo ele, observa-se nas últimas semanas uma aceleração nos números de casos confirmados e óbitos, o que não justificaria o enfraquecimento do isolamento social.

Para ele, a reabertura irá levar mais pessoas às ruas e, assim, aumentar a transmissão do vírus. “O que está ocorrendo hoje terá um reflexo nas próximas semanas.”

Guimarães disse que a baixa ocupação de leitos de UTI pode mudar rapidamente. “O crescimento exponencial de casos poderá levar à ocupação rápida das vagas existentes”.

O especialista defende medidas rígidas de isolamento social por três semanas, para que “possamos superar de vez o problema do achatamento da curva, mas falta apoio social”.

Siga OVALE nas redes sociais
Copyright © - 2021 - OVALE
Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Distribuído por:
Desenvolvido por: