Com explosão de casos, pesquisador da Unesp vê risco em flexibilização no Vale; Estado cogita abertura ainda maior

O Vale do Paraíba registrou, na primeira semana de junho, os piores números relacionados à Covid-19 desde o início da pandemia por aqui, em 18 de março.

Por três vezes consecutivas, a região bateu o recorde de novos casos diários de pessoas infectadas pelo coronavírus e de mortes, progressivamente com 125, 128 e 159 novos doentes por dia e 7 e 11 novos óbitos em 24h.

A soma de casos confirmados nos quatro primeiros dias de junho (496) é quase igual ao registrado em todo o mês de abril (530) e quase um terço dos casos nos 31 dias de maio (1.672), mês com maior pico da doença até agora.

ISOLAMENTO.

Os números mostram que a queda da taxa de isolamento verificada no Vale nas duas últimas semanas de maio já está cobrando seu preço, com aumento de casos e mortes no início de junho.

O motivo é que um caso confirmado demora até 15 dias para ser registrado, passando pelo contágio, detecção e confirmação por exame.

Os números revelam tendência de crescimento de infectados e mortes por Covid-19 na região, o que pode impactar o sistema de saúde.

No entanto, não é assim que pensa o Estado.

Mesmo nesse quadro de avanço da doença, o governo estadual confirmou que a RMVale segue tendência de ampliar a reabertura das atividades econômicas a partir de 15 de junho, em razão de indicadores positivos na saúde.

O principal deles seria a baixa ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com pacientes de Covid-19. O crescimento de casos confirmados da doença não estaria impactando o sistema de saúde regional.

“No Vale, tivemos uma evolução na semana e indicamos uma melhora da fase laranja para a amarela por causa da melhora dos índices de internação”, disse a OVALE Marco Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Regional.

“Quando verificamos o aumento do número de casos, isso se dá pelo aumento da testagem na região. A tendência, levando em conta as internações, é de melhora nos números do Vale.”

João Gabbardo, secretário-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, disse que a região será analisada pelos seus indicadores, “com segurança”.

“Esse processo é dinâmico. Pode sofrer alterações nas recomendações de uma semana para outra, dependendo dos indicadores. O critério da segurança é o mais importante.”

Gabbardo disse que o plano prevê análises regulares dos números da região e a possibilidade de limitar a flexibilização. “A população tem que estar preparada para modificações nesse cenário”.

RISCO.

Raul Borges Guimarães, coordenador do Laboratório de Biogeografia e Geografia da Saúde da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente, afirmou que “acompanha com apreensão as medidas de flexibilização” no interior, como no Vale.

Segundo ele, observa-se nas últimas semanas uma aceleração nos números de casos confirmados e óbitos, o que não justificaria o enfraquecimento do isolamento social.

Para ele, a reabertura irá levar mais pessoas às ruas e, assim, aumentar a transmissão do vírus. “O que está ocorrendo hoje terá um reflexo nas próximas semanas.”

Guimarães disse que a baixa ocupação de leitos de UTI pode mudar rapidamente. “O crescimento exponencial de casos poderá levar à ocupação rápida das vagas existentes”.

O especialista defende medidas rígidas de isolamento social por três semanas, para que “possamos superar de vez o problema do achatamento da curva, mas falta apoio social”.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.