Crise no bolso: os prejuízos que a pandemia do coronavírus trará para a economia do mundo e do Vale

Em meio à pandemia, um 'oceano' de números vai se acumulando.

São as perdas estimadas com a crise econômica advinda do novo coronavírus, que paralisou países em todo o mundo.

Ninguém sabe ao certo quanto o mundo perderá com a Covid-19, mas ninguém tem dúvida de que haverá maior desemprego, menos crédito e crescimento negativo em vários países.

O Brasil é um exemplo. No início da pandemia, dizia-se que a economia do país teria um desempenho próximo de zero em 2020. Depois, a projeção passou para uma queda de 3%, que saltou para 5% e já há analistas apostando em 10% de retração. O desemprego pode ficar na casa de 16%.

Professor associado da Fundação Dom Cabral, Carlos Braga acredita que vivemos um momento único na história recente da humanidade, que terá profundos impactos na economia mundial. Segundo ele, o tamanho desse 'terremoto' dependerá da duração da pandemia.

"É a recessão mais dramática desde a crise de 1929", disse Braga em debate online organizado pela ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos.

A própria entidade, que está fazendo pesquisas com empresários na cidade para conhecer o tamanho do prejuízo, estima uma retração de até 80% no setor industrial de São José. E sem contar o comércio, um dos mais impactados pela pandemia.

"Começou com o impacto na oferta e depois problema no mercado de trabalho, além de impacto da demanda pela incerteza, que é uma característica dessa crise", disse Braga, que foi representante especial e diretor para a Europa do Banco Mundial em 2012.

Segundo ele, a crise derrubou a oferta de produtos com a parada industrial em parte da China, afetando abastecimento mundial em setores como o automotivo.

COMÉRCIO.

Estudo do Sincovat (Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e região), com base em dados da Fecomercio (Federação do Comercio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), aponta que o varejo da RMVale, considerado não essencial, faturava, em dias normais, cerca de R$ 50 milhões por dia, o que daria o tamanho da perda da região.

"Muitos lojistas estão tentando minimizar as perdas, oferecendo serviços pelas redes sociais e delivery. No entanto, o estabelecimento fechado ao atendimento presencial dos clientes está causando, além das perdas, uma grande ansiedade nos empresários", informou o Sincovat.

Ainda segundo o estudo, do início da quarentena até 13 de maio, 930 funcionários foram demitidos em Taubaté e outros 4.054 tiveram seus contratos de trabalho suspensos ou uma redução de jornada e salário.

"O Sincovat estima que o varejo de Taubaté perde, por dia, R$ 2,3 milhões. Já os segmentos considerados essenciais, mesmo funcionando, têm perda estimada de R$ 1,53 milhão por dia, ou seja, um prejuízo total de quase R$ 4 milhões de receita bruta."

LITORAL NORTE.

Dependente do turismo, um dos setores mais afetados pela pandemia, as quatro cidades do Litoral Norte registram mais de 1.000 trabalhadores demitidos do varejo, segundo o Sincovat. Outros 1.734 contratos foram suspensos e 594 tiveram redução de jornada e salário. De acordo com a entidade, Caraguatatuba, São Sebastião, Ubatuba e Ilhabela têm, em média, um prejuízo de R$ 4,074 milhões por dia.

Caraguatatuba tem a maior perda diária: R$ 1,8 milhão de receita bruta de vendas. Os lojistas já dispensaram 304 funcionários e realizaram 720 suspensões de contrato e 264 reduções de jornada e salário.

Em Ubatuba, a perda estimada é de R$ 1,09 milhão por dia, com 184 demissões no comércio, 235 com contratos suspensos e 83 com reduções no tempo de trabalho e na remuneração.

São Sebastião registra 64 demissões, 166 contratos suspensos e 73 funcionários com horários reduzidos. As perdas diárias são de R$ 769 mil.

Em Ilhabela, o comércio perde R$ 368 mil por dia, com 484 desligamentos, 623 suspensões de contrato e 174 reduções de jornada e salário.n

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