Cientistas correm atrás de vacina para combater o vírus, responsável pela pior crise sanitária em 100 anos

Prazer, coronavírus.

A ciência vem conhecendo cada vez mais intimamente um dos adversários mais aguerridos no campo da biologia e da saúde pública, o novo coronavírus.

Desde que foi detectado na China, no final de 2019, o pequeno microrganismo foi capaz de infectar mais de 5,1 milhões de pessoas em todo o mundo e de causar mais de 335 mil mortes até 22 de maio.

Laboratórios e países correm atrás de uma vacina para combater a moléstia, que vem causando a pior crise sanitária em 100 anos.

Médico patologista clínico e gestor do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Alex Galoro considera a busca científica para combater a Covid-19 uma das principais pautas da nossa era. “É uma das principais pautas que temos visto, de tanta busca científica para combater a doença. Várias pesquisas estão sendo feitas”.

Segundo ele, o primeiro desafio foi obter conhecimento suficiente da doença para criar os exames diagnósticos. Isso ocorreu por meio de sequenciamento do vírus feito na China, para diferenciar de outros vírus. Desde então, os testes vêm sendo aprimorados.

“O vírus é uma fita única de RNA. A doença não existia há poucos meses e nem método diagnóstico para detectá-la. Todos os laboratórios, no início da pandemia, ofereceram testes desenvolvidos internamente”, conta o médico Rafael Jácomo, do Grupo Sabin.

A primeira batalha vencida pela ciência foi conseguir detectar o vírus no corpo de um infectado. Depois disso, seguir o vírus por seu caminho no mundo e mapear as mutações que vem sofrendo desde que saiu da China, passando pela Europa e vindo para a América.

“Conforme o tipo de mutação, é possível saber de onde é a sequência e onde o vírus passou. É um interesse epidemiológico”, diz Galoro.

“Pesquisa das mutações é importantíssima para saber se a vacina será efetiva. Até agora, a mutação não mudou a característica gênica do vírus, a capacidade de estimular o sistema imunológico”, conta o médico, o que pode facilitar para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus.

VACINA.

Segundo ele, as mutações têm implicação no quadro clínico ou na imunidade do paciente, o que pode reduzir ou acabar com a efetividade da vacina. “Por isso que HIV não tem vacina, porque sofre muitas mutações”.

Galoro acompanha a pesquisa para desenvolver uma vacina contra o coronavírus e diz que há projeção de uma fórmula em setembro, na Europa. Além de ciência, claro, trata-se de uma corrida por dividendos. “Quem conseguir vai triplicar o valor da empresa”.

“Outras linhas de pesquisa para vacina, como nacionais, apontam que a própria mucosa respiratória que produz anticorpos poderia ser usada numa vacina, que evitaria a infecção. É uma pesquisa sendo feita no Brasil.”

Por enquanto, o maior desafio é encontrar uma fórmula eficaz como vacina e produzida em larga escala.

Para tanto, cientistas têm acelerado processos com tecnologias de pesquisas anteriores, nas quais havia linha de fabricação de vacinas para coronavírus, mas não este novo. “Comitês de ética têm facilitado a evolução da pesquisa, para que pulem algumas etapas. Há um esforço conjunto para se chegar numa vacina.”

Caso dê em nada a vacina europeia em setembro, Galoro crê numa fórmula pronta até o primeiro semestre de 2021. Segundo Galoro, há também pesquisas para entender como o vírus se espalha. Hoje, já se sabe que o vírus pode ficar em suspensão no ar em algumas situações e até por alguns dias, o que aumenta o poder de contaminação. “Isso faz diferença e mostrou que o contágio era muito maior do que o sarampo e outros vírus mais contagiosos”

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