As lições da américa

Tentativa de autogolpe deflagrada por Trump e por seus apoiadores é um spoiler do que nós podemos ver em 2022

O mundo assistiu na última semana, estupefato, ao ataque ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos. Insuflados pelo (ainda) presidente Donald Trump, apoiadores do republicano invadiram o prédio para tentar impedir a certificação do democrata Joe Biden como presidente eleito. O saldo: cinco mortos, sendo quatro apoiadores de Trump e um policial. Por horas, a mais vigorosa democracia do Ocidente se transformou em uma 'república de bananas'.

De tão absurda, a invasão do Capitólio parece ser aquele tipo de cena que não se repetirá em lugar algum. Mas, infelizmente, nós brasileiros temos motivos para temer que isso tenha sido apenas um spoiler do que pode acontecer por aqui em 2022.

Enquanto os principais líderes mundiais condenavam o ataque à sede do Congresso dos EUA, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, reverberou as afirmações de Trump, de que a eleição norte-americana teria sido fraudada.

Bolsonaro, que é descrito mundo afora como o 'Trump dos trópicos', voltou a dizer que a eleição brasileira de 2018, vencida por ele, também foi alvo de fraude. "Eu tenho indícios de fraude na minha eleição. Era para eu ter ganho no primeiro turno", afirmou, novamente sem apresentar prova alguma dessa baboseira.

E ele foi além: "sem voto impresso em 2022, vamos ter problema pior que dos EUA", afirmou Bolsonaro.

Em dois anos como presidente, Bolsonaro não demonstrou sequer um pingo do que é necessário para o cargo. Já havia sido incapaz no período pré-pandemia, de janeiro de 2019 a março de 2020. Continuou inepto durante a pandemia, e só viu sua popularidade resistir devido ao auxílio emergencial. Agora, com o fim do auxílio e com a incompetência do capitão retardando o início da vacinação contra o coronavírus no país, a expectativa é de que a aprovação dos desgoverno volte a cair. Afinal, é o próprio presidente quem diz que o Brasil está "quebrado" e que, por isso, ele não consegue "fazer nada".

Nesse cenário, embora ainda faltem nomes de consenso entre os grupos mais moderados, não seria surpresa se Bolsonaro fosse derrotado na eleição de 2022. E que, mais uma vez, seguisse os passos de Trump, insuflando apoiadores em busca de um autogolpe de estado. Que o Brasil, assim como os EUA, saia vitorioso dessa..

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