Bolsonaro, a sua piscina está cheia de ratos

Numa avenida chamada Brasil havia um prédio bem alto e com arquitetura esplendorosa, mas que convivia com graves problemas e parecia quase abandonado. Os moradores dali suspeitavam que o lugar estava infestado por ratos, que na calada da noite invadiam os apartamentos e batiam a carteira, assaltavam a geladeira e o que mais pudessem. Mas eles eram espertos, raramente eram vistos.

Cansados, os moradores cobravam medidas enérgicas, mas os síndicos que por lá passaram não demonstravam interesse em resolver a questão. Porém, com o tempo (e com os prejuízos se avolumando cada vez mais), os condôminos foram às ruas e exigiram mudanças.

Foram colocadas ratoeiras e elas começaram a mostrar o tamanho do problema. Tinha rato do PT, PSDB, MDB, PSB, DEM, PP, PR, PSD, PDT, PTB, PC do B, SD, PSC, PRB, PRTB, PROS, PV, PEN. PPS, PTN, PT do B, PMN, PSL, PTC, PHS, PRP, PPL, PSDC... era uma verdadeira (e indigesta) sopa de letrinhas partidária.

Os moradores ficaram revoltados, nunca tinham visto tanto rato assim antes. Trocaram o síndico, fizeram uma nova eleição e escolheram um velho condômino que dizia ser o "novo", prometendo acabar com as ratazanas dali. Então, logo chamou um juiz aposentado para ajudá-lo, pois ele era o responsável pela desratização do prédio.

O novo síndico prometeu que intensificaria a desratização.

Pelo menos na teoria.

Na prática, o tempo foi passando, passando… e nada. Ao invés de comprar mais ratoeiras, o síndico passou a retirar as iscas das armadilhas. Ratoeira sem queijo?

Pois é. O juiz começou a reclamar da pouca efetividade das ações. Moradores chegaram a denunciar que a casa do síndico também estava infestada, cheia de ratos de estimação. Ah, ali ninguém mexia, dizia ele. Tanto é que ele demitiu o juiz, que saiu esbravejando que ao invés de intensificar o combate aos ratos, o síndico estava protegendo as próprias ratazanas. Tempo depois, o síndico anunciou aos condôminos: “eu acabei com as ratoeiras, porque não temos mais ratos”.

A analogia, caro leitor, cai como uma luva em um momento em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirma: “eu acabei com a Lava Jato porque não tem corrupção no governo”. Ex-ministro da Justiça, o juiz aposentado Sergio Moro classificou a medida como um “triunfo da corrupção”.

Eleito com discurso de nova política e combate à corrupção, surfando a onda pós-Lava Jato, Bolsonaro é o contrário disso. Ele governa com o Centrão, grupo da velha política do toma-lá-dá-cá fisiológico, sucateou as investigações contra a corrupção, para proteger filhos e amigos. Ou seria ele mesmo?

E o dinheiro do Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro? E a rachadinha do Flávio Bolsonaro? Que nada. O síndico já mandou tirar todas as ratoeiras.

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