MEC: um Control C + Control V 'imprecionante'

O norte-americano Larry Tesler morreu no dia 17 de fevereiro deste ano, aos 74 anos, mas seu principal legado perdurará. Nos anos 1970, ele foi um dos criadores de dois comandos revolucionários, capazes de facilitar o trabalho de quem está diante da tela de um computador: 'Ctrl C' e 'Ctrl V'. Tesler é o pai dos popularmente conhecidos 'copiar' e 'colar', ferramentas que permitem mais rapidez e agilidade para a execução de diversas atividades. Control C e Control V foram revoluções.

Porém, como ocorre com toda e qualquer ferramenta, o seu bom ou mau uso depende da mão humana. A mesma faca, por exemplo, pode ser usada para cortar o pão ou praticar um assalto. E a dupla 'Ctrl C' e 'Ctrl V' não escapa dessa lógica, tendo tornado-se sinônimo de plágio, principalmente no ambiente acadêmico, escolar. Invariavelmente, quando descoberta, a trapaça merece nota vermelha no boletim.

Mas e quando isso vem de quem deveria, em tese (tese sem plágio), dar o exemplo?

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, foi acusado de plagiar trecho da dissertação de mestrado defendida em 2008. E não para por aí. A Universidade Nacional de Rosário (ARG) informou que o novo titular da política educacional de Jair Bolsonaro (sem partido), diferentemente do que foi dito e do que constava em seu currículo lattes, não concluiu lá o seu doutorado. E tem mais, não parou por aí não. A Universidade de Wuppertal (ALE) comunicou que Decotelli não obteve o título de Pós-Doutorado na instituição, o que vai na contramão do anunciado por ele.

Diante de tantas inconsistências, a posse do ministro foi adiada. Há risco até dela não acontecer, com tantos problemas aparecendo. A ala militar, responsável pela indicação, está constrangida.

Trata-se de mais uma trapalhada do governo Bolsonaro em uma pasta tão vital. O Palácio do Planalto, um ano e meio depois do início do mandato, parece usar o copiar e colar para tratar da educação, trocando um nome por outro, mas repetindo erros e mantendo o país órfão de uma gestão eficaz na área.

A primeira escolha foi Ricardo Vélez, colombiano que chefiou o MEC (Ministério da Educação) de janeiro até abril de 2019, em uma curta e polêmica passagem. Ele chegou a afirmar que modificaria a forma como os livros de História tratavam a ditadura militar.

Por 'falta de expertise', Vélez deixou o ministério e foi substituído por Abraham Weintraub - indicado também por Olavo de Carvalho, como seu antecessor, e hoje considerado pela oposição como pior ministro da história, um capítulo à parte no desgoverno Bolsonaro.

Sua gestão, encerrada com a viagem com cara de fuga para os EUA, foi marcada por corte no orçamento de universidades públicas, pedidos para que alunos filmassem professores em sala de aula, por ataques aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e acusações de frases racistas contra índios e chineses, e por erros gramaticais 'imprecionantes', além de trapalhadas no Enem e no Sisu.

No boletim da educação, com esse 'Ctrl C' e 'Ctrl V' de escolhas equivocadas, a nota do governo é zero.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.