Bolsonaro, Churchill e Winston: estamos em 1984, 1964 ou 2020?

"Os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascitas".

A frase, atribuída ao ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), foi postada nesta segunda-feira por Flávio e Eduardo Bolsonaro, respectivamente senador e deputado federal que integram a corte palaciana do pai, o presidente Jair Bolsonaro.

A citação é fake news.

O Verifica OVALE e outros sites de checagem brasileiros trouxeram a informação, pouco após a postagem, tendo como base posicionamento da ICS (International Churchill Society), entidade fundada para preservar a memória do político, considerado o maior estadista do século 20, responsável pela resistência do Reino Unido à Alemanha nazista.

“Nós lutaremos nas praias, nós lutaremos nos campos, nós lutaremos nas colinas, nós nunca nos renderemos”, disse Churchill, um dos maiores oradores da história, naquela que é sua frase mais famosa.

Winston.

Winston é também o nome do personagem central de '1984', obra clássica do escritor britânico George Orwell (1903-1950), escrita em 1948.

O romance atemporal e distópico, citado pelo decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Celso de Mello, em mensagem endereçada aos colegas de Corte tendo a escalada autoritária de Bolsonaro como tema, ambienta-se em Oceania, um superestado totalitário chefiado pelo tirano Grande Irmão, líder do Partido.

Daí deriva a expressão Big Brother, já que os olhos do Grande Irmão tudo podiam ver, até mesmo dentro das casas, com a ajuda das teletelas -- espécie de espelhos com câmeras por onde o governo fiscalizava a tudo e a todos, incluindo o "crime de pensamento".

Oceania vivia em confronto constante, perpétuo.

O protagonista era um funcionário público obscuro do Ministério da Verdade, responsável pela propaganda e pelo revisionismo histórico.

Seu trabalho? Reescrever artigos de jornais do passado, para que aquele registro histórico sempre confirmasse a ideologia do Grande Irmão, justificando suas ações atuais, eliminando qualquer traço de contradição.

Para cercear a expressão do povo, o Partido havia instituído um novo idioma: a Novilíngua, citada na mensagem do decano do STF.

A Novilíngua era um idioma que condensava ou removia palavras, controlando assim a linguagem e restringindo o raciocínio, por meio do duplipensar (capacidade de saber que aquilo está errado, mas convencer-se de que é o certo).

Como lemas, o Estado superautoritário pregava: guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força.

Seria como um presidente autoritário que fala em democracia, que mente quando fala em verdade, prega obscurantismo travestido de ciência?

Churchill, Winston, Orwell, Flávios e Eduardos, Jair Bolsonaro... estamos em 1948? Ou seria 1984? 1964? Ou 2020?

É difícil saber. Fato é que a democracia, sempre tão atacada, está em risco constante. É urgente que as instituições estejam vigilantes, no melhor estilo BBB. Afinal, Orwell já dizia: "Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre".

Atenção, a marcha autoritária vem a galope.

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.