A sade no o foco

Mesmo durante uma pandemia, governo Bolsonaro perde dois ministros da Sade e mostra que setor no prioridade

O diagnóstico é fácil. No governo Jair Bolsonaro, mesmo em meio à maior crise sanitária mundial dos últimos 100 anos, a saúde não tem vez.

É um sintoma claro. Em menos de um mês, durante uma pandemia, dois ministros da Saúde deixaram o (des)governo: Luiz Henrique Mandetta foi demitido no dia 16 de abril. Nelson Teich pediu demissão dia 15 de maio. Nos dois casos, o quadro se agravou da mesma forma: os então ministros, ambos médicos, se recusaram a adotar as medidas que o presidente insistia em fazê-los engolir. Bolsonaro tentou fazer que tanto Mandetta quanto Teich endossassem uma absurda política de retomada imediata das atividades econômicas, ignorando a recomendação das principais autoridades de saúde do planeta.

Também tentou que os então ministros recomendassem o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, desprezando o fato de que os principais estudos feitos por diversos países ainda não conseguiram encontrar resultados conclusivos sobre a eficácia do medicamento contra o vírus.

Por que Bolsonaro se comporta dessa maneira, ignorando que o coronavírus já havia matado 14.817 brasileiros até a última sexta-feira? Simples: porque ele não se importa com esses números. Para o presidente, aliás, são baixos e não justificam o isolamento social. 'E daí?', diz o capitão.

Ao completar 500 dias no cargo, Bolsonaro tem apenas duas preocupações em mente. A primeira é sobreviver às ameaças de impeachment e completar o mandato. A segunda é se reeleger em 2022.

Sim, em plena pandemia, o cálculo do presidente é apenas político. Bolsonaro ouviu de sua equipe econômica que, caso o isolamento social continue em junho, o impacto no setor será ainda maior, com reflexos até o fim do mandato. Por isso passou a fritar Teich, como ficou claro no dia 11, quando o então ministro soube pela imprensa que academias e salões de beleza haviam sido incluídos na lista de atividades essenciais.

Na eleição, para tentar esconder seu despreparo, Bolsonaro dizia que questões econômicas seriam respondidas por Paulo Guedes, seu 'Posto Ipiranga'. Seria muito bom para o país se o presidente, que não é médico, deixasse alguém da área comandar o enfrentamento ao vírus. Pare de brincar com nossas vidas, capitão.

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