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De olho no nepotismo

Caso da Nora de Maninho, que ganhou cargo na Urbam, teste de fogo para discurso de respeito lei de Felicio

Em maio, o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB) editou um decreto para regulamentar a vedação ao nepotismo em órgãos públicos, ampliando a lista de proibições à contratação de parentes. No texto, fica claro que seria vedada a nomeação de consanguinidade ou afinidade até o terceiro grau, valendo para parentes de agentes políticos, como prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores, e também para familiares de ocupantes de cargos em comissão ou função de confiança de direção, chefia ou assessoramento.

Pois bem. Pouco tempo depois, o governo tucano tem seu primeiro teste de fogo para provar, realmente, que fará "do jeito certo".

Reportagem nesta edição revela que a nora do vereador Maninho Cem Por Cento (PTB) mantém um cargo comissionado na Urbam (Urbanizadora Municipal) desde o início de 2017 -- coincidentemente quando prefeito e o parlamentar tomaram posse.

O decreto de Felicio é bem claro, e aponta proibição de nepotismo também em autarquias, fundações e empresas de economia mista, como é a Urbam e como também é, por exemplo, a FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo).

Na época, o governo alegou que "o decreto foi elaborado para dar andamento as políticas públicas de controle interno e transparência".

O vereador afirma que os cargos precisam ser questionados com a empresa. A Urbam diz que não tem ciência do relacionamento entre a funcionária e o filho de Maninho. E o prefeito, questionado pelo jornal nesta quarta-feira, disse desconhecer o caso da nora do parlamentar, mas que irá apurar a situação. Se comprovado, agirá do jeito certo, mesmo envolvendo um vereador da base aliada?

Vale lembrar que, também em maio, o jornal revelou que os cargos comissionados da Urbam têm sido usados para abrigar aliados políticos, como candidatos a vereador em eleições passadas, ex-assessores parlamentares, filiados a partidos de apoio e pessoas que trabalharam ou fizeram doações para campanhas da base aliada do governo.

É hora de ver se a lei é realmente para todos. No discurso, é muito fácil fazer o certo. Será que, na prática, também será assim?.