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Moro virou txico?

Antes uma figura que dava sustentao ao governo, ex-juiz ter que resolver problema sem ajuda do presidente

Escolhido pelo presidente para ser seu ministro da Justiça, o ex-juiz federal Sergio Moro era, desde o início do governo de Jair Bolsonaro (PSL), um dos principais pilares da gestão pesselista.

Ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, Moro destoava dos outros nomes da equipe, formada por indicados que se destacavam (negativamente) pelo alto grau de ideologismo e pela pequena capacidade de apresentar propostas concretas para resolver os problemas do país.

Como o presidente também mostrou não ter o preparo necessário para o cargo, a dupla Moro e Guedes representava para muitos (principalmente aqueles que, embora tenham votado em Bolsonaro, não sofrem da cegueira ufanista do bolsonarismo) um oásis em meio ao deserto de ideias do governo.

Em meio ao assumido desconhecimento sobre economia, o presidente tem em Paulo Guedes seu Posto Ipiranga. Já Moro era uma forma de Bolsonaro comprovar que, embora em meio a suspeitas de envolvimento com milícias e cobranças de pedágio do salário de assessores, sua gestão teria como bandeira o combate à corrupção.

Agora, após conversas suspeitas entre Moro e procuradores da Lava Jato terem sido vazadas pelo site The Intercept Brasil, o ministro da Justiça parece ter virado tóxico. O presidente, por exemplo, ainda não fez nenhum pronunciamento oficial para defender Moro. Nessa terça-feira, chegou a encerrar abruptamente uma entrevista coletiva após ser questionado sobre o caso.

Diante da óbvia repercussão negativa do caso -- juristas, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e diversas entidades já condenaram os diálogos efetuados entre Moro e procuradores --, a estratégia é tentar manter a polêmica distante do Palácio do Planalto.

O receio não é apenas com relação ao que já foi divulgado, mas também com o que ainda está por vir. Segundo o The Intercept, foram obtidas conversas realizadas em um período de dois anos. O site já antecipou que os diálogos mostrariam, por exemplo, que Moro foi convidado para o cargo no governo Bolsonaro ainda durante as eleições de 2018.

O caso ainda não atingiu Bolsonaro, mas isso ainda pode acontecer. O escudo virou um Cavalo de Troia..