Investir fora do pas aposta mais segura durante a pandemia, diz especialista

A aposta no momento atual que a sada para os investidores no "carem em arapucas" aplicar uma parte da carteira em ativos internacionais

Da Redao | @jornalovale

O Brasil deve demorar mais do que os países desenvolvidos para superar a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. A opinião é de Breno Andrade, assessor de investimentos da Monte Bravo, principal empresa brasileira de assessoria de investimentos credenciada à XP Investimentos.

A aposta no momento atual é que a saída para os investidores não “caírem em arapucas” é aplicar uma parte da carteira em ativos internacionais.

Isso porque, segundo o especialista, diversificar portfólio em geografias diferentes aumenta a proteção do capital contra possíveis perdas no Brasil, reduz a instabilidade da carteira e preserva contra desvalorização da moeda e inflação. 

“A forte depreciação do real frente a outras moedas estampou uma realidade pouco falada quando tudo está indo bem: a nossa bolsa de valores, as nossas empresas e nosso dinheiro valem menos”, disse Andrade.

Para exemplificar, ele usa o cenário de uma viagem para a Disney. Com o dólar custando R$ 5, fica muito mais caro fazer o passeio do que quando estava abaixo de R$ 4, há um tempo atrás. "Se, no passado, você tivesse comprado dólares para se preparar para essa viagem não estaria preocupado com a volatilidade e a alta da moeda americana", afirma.

INFLAÇÃO.

Andrade ainda explica que o poder da valorização das moedas estrangeiras pode trazer outra consequência 'invisível': a inflação. "Os produtos exportados que consumimos podem ficar mais caros, assim como os itens produzidos aqui que precisam de insumos importados. E mais! A instabilidade política do país também gera muitos riscos no mercado", disse o especialista.

Atualmente, o mercado de capitais do Brasil tem cerca de 400 empresas listadas, enquanto o americano, por exemplo, tem cerca de 5.400 companhias. Para quem busca estratégias mais específicas, como empresas de tecnologia, empresas de impacto ou ESG (empresas com melhores práticas ambientais, sociais e de governança), é natural que lá fora tenha muito mais alternativas do que aqui, prevê Andrade.

"É fundamental destacar que quando falamos de investimento no exterior, o risco cambial é um fator a ser considerado antes de aplicar em qualquer produto. Os investimentos em dólar ou euro estão diretamente e fortemente expostos, por exemplo, à variação da moeda. Se o euro, por exemplo, subir de R$ 6,80 para R$ 8, ótimo, o investidor ganha; mas se em um dia cair de R$ 6,80 para R$ 3,80 ou em uma semana para R$ 4 e depois para R$ 3, esse período é de perda", disse o especialista.

“É preciso ter cautela e orientação especializada para não se deixar levar pela euforia. É necessário avaliar os riscos da desvalorização da moeda estrangeira a fim de evitar resultados negativos”, completa.

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