Nova concessão pode marcar o fim dos cobradores nos ônibus de São José

Secretário de Mobilidade Urbana diz que, com meios digitais de pagamento, as funções dentro do transporte serão remodeladas; sindicato que representa os atuais 600 cobradores diz que lutará para manter empregos

Julio Codazzi e Thaís Leite @jornalovale | @jornalovale

O edital da licitação da nova concessão do transporte público de São José dos Campos não irá manter a obrigatoriedade de cobradores nos ônibus, segundo o governo Felicio Ramuth (PSDB).

A informação foi dada pelo secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Guimarães, em entrevista a OVALE e SPRio . "A gente está migrando para que os meios de pagamentos sejam mais digitalizados. Então, hoje, a gente tem uma demanda muito baixa de pagamento em dinheiro. Algumas linhas têm baixíssima demanda, a situação do cobrador já não existe mais necessidade", disse o secretário.

Segundo o Sindicato dos Condutores, cerca de 600 cobradores atuam hoje nas três empresas que operam na cidade. Para Guimarães, o fim dos cobradores não resultará, necessariamente, em demissões. "A lei [que autoriza a nova concessão] não trata de relações trabalhistas. Abre a possibilidade para que linhas de maior demanda continuem com apoio. Não necessariamente a figura do cobrador, mas um auxiliar, agente de bordo", disse. "A gente está remodelando as funções dentro do transporte", completou.

A expectativa da gestão tucana é publicar até o início de maio o edital da licitação. O cronograma, no entanto, depende do desenrolar da pandemia do novo coronavírus, já que a prefeitura tem adotado uma série de medidas para evitar a transmissão no município - antes da publicação do edital, por exemplo, estavam previstas reuniões públicas para debater o texto com os munícipes. O contrato das atuais concessionárias termina em fevereiro de 2021.

De acordo com o governo Felicio, cada lote da nova concessão será vencido pela empresa que aceitar praticar a menor tarifa.

Sindicato diz que irá lutar pela manutenção do emprego da categoria

O Sindicato dos Condutores informou que irá agendar uma reunião com o secretário de Mobilidade Urbana para debater a proposta do fim da obrigatoriedade dos cobradores em todas as linhas. "Nós temos uma luta constante pela manutenção dos cobradores, mas não tem sido fácil. Vamos continuar lutando pela manutenção dos postos dos trabalhadores", afirmou o presidente da entidade, Elias Pereira da Silva. "Para retirar o cobrador, é preciso [o sistema] estar 100% informatizado. Não vamos aceitar que os motoristas façam esse trabalho também", completou. Na votação do projeto na Câmara, um pedido do sindicato foi atendido: o veto à subconcessão.

 

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